sábado, 17 de março de 2012

Carta do Índio

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio...


...Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós. A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão. Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.  Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender.Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender. O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.  Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo,sejamos todos irmãos.Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.Podeis pensar hoje que somente vós o possuis, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.    Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o fim do viver e o início do sobreviver."
Fonte: www.culturabrasil.org

Pindorama (Palavra Cantada)


 (Terra à vista!)
Pindorama, Pindorama
É o Brasil antes de Cabral
Pindorama, Pindorama
É tão longe de Portugal
Fica além, muito além
Do encontro do mar com o céu
Fica além, muito além
Dos domínios de Dom Manuel
Vera Cruz, Vera Cruz
Quem achou foi Portugal
Vera Cruz, Vera Cruz
Atrás do Monte Pascoal
Bem ali Cabral viu
Dia 22 de abril
Não só viu, descobriu
Toda a terra do Brasil
Pindorama, Pindorama
Mas os índios já estavam aqui
Pindorama, Pindorama
Já falavam tupi-tupi
Só depois, vêm vocês
Que falavam tupi-português
Só depois com vocês
Nossa vida mudou de uma vez
Pero Vaz, Pero Vaz
Disse em uma carta ao rei
Que num altar, sob a cruz
Rezou missa o nosso frei
Mas depois seu Cabral
Foi saindo devagar
Do país tropical
Para as Índias encontrar
Para as índias, para as índias
Mas as índias já estavam aqui
Avisamos: "olha as índias!"
Mas Cabral não entende tupi
Se mudou para o mar
Ver as índias em outro lugar
Deu chabu, deu azar
Muitas naus não puderam voltar
Mas, enfim, desconfio
Não foi nada ocasional
Que Cabral, num desvio
Viu a terra e disse: "Uau!"
Não foi nau, foi navio
Foi um plano imperial
Pra aportar seu navio
Num país monumental
Ao Álvares Cabral
Ao El Rei Dom Manuel
Ao índio do Brasil
E ainda quem me ouviu
Vou dizer, descobri
O Brasil tá inteirinho na voz
Quem quiser vai ouvir
Pindorama tá dentro de nós
Ao Álvares Cabral
Ao El Rei Dom Manuel
Ao índio do Brasil
E ainda quem me ouviu
Vou dizer, vem ouvir
É um país muito sutil
Quem quiser descobrir
Só depois do ano 2000

 Fonte: letras.terra.com.br

Descobrimento, achamento, ocupação ou invasão?

Abrindo o blog para um ano letivo cheio de novidades!

Nas  turmas do sétimo ano do CIEP 406, teremos  um ano começando com muitas aventuras, aprendizagens e trabalhos. Apresento aqui para quem ainda não conhece o nosso blog, o que a professora vai fazer, o que os nossos aprendizes leem e tem feito em nossas aulas. O pais e mães estão convidad@s a acompanhar no blog as atividades de seus filhos. Podem seguir o blog assim como nossos alunos. Aceitamos opinião, comentários e dúvidas que podem e devem  surgir ao longo do ano.
Tão logo os computadores voltem a funcionar em nossa escola, os trabalhos pela internet ficarão mais fáceis para o acesso de tod@s. Por ora, deixo aqui alguns textos que já trabalhamos na escola e que porventura alguém ainda não tenha ou perdeu, possa recuperá-lo por aqui.
Um abraço em tod@s e um feliz aprendizado em 2012!
Fabíola Camargo (Professora de História -7º ano 2012- CIEP 406)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SOCIALISMO UTÓPICO

"Se dedicar é só isso, tenho muito a agradecer  ao meu Grande Professor Leandro Konder. Foi  a maior das transformações que uma aluna  pode experimentar: O seu enorme saber e imensa bondade."
                                                                                                                                    Fabíola Camargo.

Após diversas experiências revolucionárias acontecidas no século XVIII ,  houve uma transformação na vida e na forma de ver o mundo, mas que  ao mesmo tempo  gerou o  Sistema Capitalista. Este Sistema não  melhorou de forma significativa  a vida da maioria das pessoas pobres. Por isso alguns  estudiosos começaram a pensar  sobre o porquê das condições desumanas que viviam os trabalhadores .
Se por um lado  a Revolução Francesa foi exemplo  para as conquistas políticas, como direito ao voto,  uma constituição que impedia  a exploração do outro como quisesse, e que enfatizava a igualdade, a liberdade e a fraternidade, por outro lado esta Revolução Francesa não conseguiu, com  as maiorias( sans cullottes),  colocar em prática por mais tempo as suas conquistas. O mundo ainda viva o Antigo Regime: dos reis e nobres privilegiados que destruíram  as conquistas da Revolução Francesa ( com a invasão de Napoleão apoiado pelas elites das monarquias de outros países)e se apropriaram das descobertas da Revolução Industrial.
Com isso, a burguesia aumentou muito  seus lucros. Uma vez que começavam a lucrar, mais ricos queriam ficar. Muitos nobres se tornaram banqueiros, grandes burgueses e financiavam a exploração dos países coloniais.
Dessa forma a exploração do “proletariado” ( A classe trabalhadora, que só possui seus filhos, ou seja, sua “prole”  para alimentá-los com apenas um pequeno salário. Este é o bem mais importante desta classe).Esta  maioria por sua vez, conquistou  direitos, como a diminuição  das horas de trabalho e  o fim do trabalho infantil, e ainda  deixou como exemplos, diversas formas de lutar por direitos  para acabar com a exploração das burguesias. Mas   a maioria excluída, mas com experiências revolucionárias e  muitos pensadores  começaram a questionar  a exploração que o Sistema Capitalista trazia.
 No entanto,  a maioria  da classe trabalhadora não tinha tempo para analisar suas condições e teorizar quais as saídas e as soluções para os seus problemas.  Apesar das conquistas, ainda trabalhavam  de 12 a 16 horas por dia.
Daí alguns estudiosos começaram a pensar sobre  o que poderia vir a ser uma nova Sociedade. Entre estes pensadores e estudiosos, estava  Graco Babeuf . Babeuf analisou que a Revolução francesa  havia sido derrotada quando  Robespierre  foi derrubado do poder. Babeuf  pretendia fazer uma nova  e última Revolução: Submeter toda propriedade aos interesses da coletividade. Mas como o poder de vida e de morte estava nas mãos dos capitalistas, Babeuf Foi condenado à morte em 1797.
Saint Simon (1760-1825)  pensava que  a burguesia  era uma classe parasitária,   e deveria reanimar ideais cristãos como foi na origem, como próprio Cristo fez, de forma  que as indústrias deveriam ser divididas entre a burguesia nascente,   operários, mulheres, comerciantes e banqueiros . Foi Saint Simon quem percebeu  pela primeira vez que havia uma luta entre duas classes na Revolução Francesa.
Robert Owen  foi outro grande estudioso e que somou experiência e estudo: Foi uma daquelas crianças exploradas pelo mundo capitalista que surgia. Foi criança muito pobre e começou a vida como empregado do comércio. Chegou a diretor-sócio  de uma grande indústria têxtil. Estudava profundamente sobre a Revolução inglesa. Entre 1800 e 1829 alterou completamente o funcionamento de sua fábrica humanizando  as relações, diminuindo horário de trabalho, dedicando-se a educação das crianças, fornecendo condições decentes de saúde e moradia aos seus operários.
 Até então  era só.  Mas  a monarquia inglesa  não gostou  mais  de seus feitos  quando se declarou Comunista(Sistema que propõe uma sociedade sem classes: Sem exploração  de uma classe pela outra.) Por isso  fez a primeira experiência nos Estados Unidos  de uma indústria onde os operários  participavam do governo desta Indústria.  Morreu pobre, mas foi um dos pensadores mais próximos  de uma proposta de uma Sociedade mais  feliz para as maiorias.
Charles Fourier pensava que  a experiência era melhor que as revoluções: Por isso criou a idéia de que as pessoas deveriam viver em comunidade.O nome desta comunidade seria “Falanstério”. De acordo com o Filósofo Leandro Konder, Fourier pensava que os homens eram movidos por doze paixões radicais: Olhar, ouvir, cheirar, do paladar e do tato, aliada as paixões da amizade, do amor, da ambição, do sentimento de família e  a paixão  pela qual acrescenta a cabalista. A paixão cabalista é a que leva  o Ser Humano a se juntar a outro grupo  dentro da comunidade  e a fazer política, para levar vantagem em relação aos outros grupos, servindo-se inclusive, da fofoca. Além disso,  Fourier  escreve sobre a paixão da borboleta,que varia de flor e muda todo o tempo. Já a paixão radical  da compósita, significava para Fourier, um sujeito que coloca alguma causa ou ideal acima de seus interesses mais imediatos. Mas para Fourier havia uma paixão radical entre os Seres Humanos acima das demais:  a de querer juntar todas as demais paixões e vivê-las.
Dessa forma os Seres Humanos seriam muito mais felizes, viveriam por mais tempo e usufruiriam  de maiores prazeres. Assim chegariam juntos a Harmonia. Esta então seria a base  do “Falanstério”.
 Para Fourier “Se a vida fosse  organizada baseada na associação e no cooperativismo, todos poderiam desenvolver integralmente seus talentos”. O  último estágio do Ser Humano seria o Socialismo, onde seria especialmente concebido  para felicidade humana.
A última  socialista utópica que iremos nos referir é Flora Tristan.
A partir das Revoluções industriais, aumentou muito a incorporação das mulheres ao mercado de trabalho.  Com as agitações populares  ligadas a Revolução Francesa, as mulheres  também tiveram  ocasião de participar de acontecimentos marcantes  na vida política. Aprenderam a protestar nas ruas.
Aliado ao ambiente cultural do Romantismo que inaugurava o século XIX, que por sua vez, valorizava a expressão dos sentimentos e o testemunho sobre experiências vividas, legitimou  a voz emocionada das mulheres. Elas que eram mantidas em geral  longe da escola e não dominavam  a argumentação vivida no século XVIII pelos iluministas, puderam falar  o que sentiam, o que viviam.
Foram os primeiros movimentos socialistas ao lado da mobilização dos trabalhadores que estimulava a denúncia  das mulheres contra a  exploração capitalista e machista que para as mulheres,  caminhavam juntas.
 Entre o mundo particular e privado em que vivia,  a mulher Flora Tristan tinha  três filhas.
 Após a invasão de Napoleão na Espanha o pai da futura escritora morreu  em 1807. Seu pai era perruano,  Mariano deTristan,oficial do exército espanhol. Casado com  uma francesa de origem humilde que vivia na Espanha, Anne-Pierre viria  a ser mãe de Flora. Casaram-se em 1808 irregularmente driblando a burocracia e não se remetendo ao consulado francês napoleônico.O pai de Flora também não solicitou ao rei da Espanha autorização para casar. Viveram na França. Seu pai foi amigo  de um dos maiores revolucionários da América do Sul:  Simon Bolívar. Mas os anos seguintes da morte do pai de Flora seriam marcantes: Sua mãe grávida e sem moradia.A guerra entre Espanha e França atingiu a casa do “militar” e “espanhol” tido desta vez, como inimigo. A moradia de Flora com sua mãe grávida foi tomada pelo governo colonizador de Napoleão. Pagariam aluguel. Como? Flora perdeu seu  irmão de 9 anos. Viveram então num ambiente rural modestamente. Ao completar 15 anos,  Flora foi morar com sua mãe  em Paris numa rua suja e estreita durante a restauração monárquica.Neste período  Napoleão havia sido destituído do poder pela Dinastia dos Bourbons  da linhagem de Luis XVI. Era a reação monárquica. Não se aceitava  sequer uma constituição.
Flora  somava entre suas  obrigações privadas, o casamento  com Chazal, seu marido e eterno rival, de quem fugiu por toda vida. Com uma bala no peito, que Chazal atirou-lhe, lutou por divórcio: “O problema do casamento e dos filhos prendiam-na à esfera privada; os problemas  do socialismo lançavam-na  à esfera pública”.( Konder, 1994) O sonho de uma sociedade mais justa e igualitária, sobretudo para os operários e mulheres passava por uma ética cotidiana. Aliava teoria à sua Vida, que denominamos  práxis. E Flora se  auto intitulava: Pária! Metáfora da sua vida  e da exclusão das mulheres: Como ela mesma sublinhou: “O socialismo para as mulheres e o feminismo para o proletariado!” E contava com as lavadeiras na beira  dos rios... O desrespeito a intimidade  unia  ao socialismo numa só luta. Quando o amor e a ternura  se tornam obsoletas em relação  ao desejo egoísta  de satisfazer  o desejo e o lucro  a qualquer custo”. E completava: “Isolada uma luta  se torna fraca, saiam do isolamento e se unam.”

 Bibliografia:
 TRISTAN, Uma vida de Mulher,uma paixão Socialista", Relume Dumará,1994.
FOURIER, Charles. " Fourier, o Socialismo do prazer Ed. Civilização Brasileira, 1998
Chronos: Publicação Cultural da Uni - Rio Rio de janeiro - vol. 1 , n.1 (2006) Rio de Janeiro, UNIRIO,2006.

Patrimônio


De acordo com Instituto do Patrimônio Histórico e  Artístico Cultural - o IPHAN -  Patrimônio cultural se refer a um conjunto de manifestações, realizações e representações de um povo, ou de uma comunidade. Ele está presente em todos os lugares e atividades: nas ruas, em nossas casas, em nossas danças e músicas, nas artes, nos museus e escolas, igrejas e praças ou nos nossos modos de fazer, criar e trabalhar: No que escrevemos ou na poesia que declamamos, nas brincadeiras que organizamos, nos cultos que professamos. O patrimônio cultural faz parte de nosso cotidiano e estabelece as nossas identidades brasileiras que são muitas e se encontram em extinção: Como a nossa cultura popular e o nosso meio ambiente. É o patrimônio cultural que determina os valores que defendemos. Se cultivamos nossa identidade ou não, se nos curvamos a uma cultura externa e nos  esquecemos quem somos e de onde viemos, é que nos levará a extinção ou não. Isto identifica  de onde viemos, quem somos e para onde vamos. Quanto mais o país cresce e se educa, mais cresce e se diversifica o patrimônio cultural. O patrimônio cultural de cada comunidade é importante na formação da identidade de todos nós, brasileiros.
Já o Patrimônio material protegido pelo Iphan, com base em legislações específicas é composto por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza  em suas  formas: arqueológica, paisagística e etnográfica. Eles estão divididos em bens imóveis como os núcleos urbanos, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais e móveis como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.
Os bens culturais materiais tombados também são responsáveis pela abertura, guarda e acesso nos processos de tombamento, de entrada e de saída de obras de artes do país. Os Arquivos também emitem certidões para efeito de prova e inscreve os bens patrimoniais.
Quanto ao Patrimônio Cultural Imaterial, a Unesco define como  " as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."
Já o  IPHAN identifica Patrimônio Imaterial transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.
De acordo com o presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida, “os jongos, violas, círios e ofícios são bens culturais vivos e mantidos pelas pessoas que os praticam. Preservá-los é valorizar seu conhecimento e ação. A salvaguarda desses bens está, portanto, orientada para a valorização do ser humano e para a melhoria das condições sociais, culturais e ambientais que permitem sua existência e permanência. Nossa enorme diversidade cultural, e que só chegará a bom termo se for compartilhada.”
Portanto o tombamento de um bem cultural  de determinada comunidade ou região preserva e impede que  as nossas riquezas naturais e culturais sejam  destruídas,  precisa ser defendido pelas comunidades  e também deve ser um ato administrativo realizado pelo Poder Público  e possui o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados pela onda globalizadora de por empresas  que se instalem e queiram acabar  com comunidades, tendo como objetivos, os benefícios econômicos  das grandes empresas estrangeiras que se aliam a governos e/ ou donos de grandes extensões de terra nos países em processo de recolonização nos dias atuais.
Disponível  em  http//portal.iphan.gov.br/ Pesquisado  dia  19/11/2011.

Marx e os 140 anos da Comuna de Paris


Dos que estudaram, denominaram e organizaram as idéias dos socialistas utópicos, além de colaborar com  algumas lutas do proletariado,  foram os socialistas denominados “científicos”, Karl Marx e Frederich Engels . O estudo de Marx e Engels  se referia  a experiência  da lutas do proletariado de 1848, da Revolução Francesa e da experiência mais concreta de 1871 – A Comuna de Paris.
Se consideravam comunistas pela  relação direta com a possibilidade  de pôr em prática um outro modelo de Sociedade que não fosse o Capitalista. O Comunismo seria um Sistema de governo  em que todos teriam direitos iguais. Mas Marx mostrou como chegar ao Socialismo. Isto diferenciava sobremaneira dos socialistas utópicos, que até então imaginavam, pensavam numa Sociedade melhor, mas não sabiam ao certo como chegar...
Marx valeu-se da dialética, ou seja, de como os trabalhadores  chegariam na prática ao socialismo,  e na sua fase  posterior: o comunismo. A dialética até hoje  é uma forma de pensar e agir na sociedade com vistas à transformá-la. O primeiro momento do pensamento dialético é a tese, o que pensamos primeiramente, àquilo que  faz sentido em nossos corações e mentes. O segundo momento é o de testar se este pensamento nos leva a uma percepção coerente  com a realidade: quando  questionamos os prós e os contras sobre  o que se passa em nossas mentes e corações. Assim  a reflexão não fica torta, é sim melhor estudada. A síntese é a ação: Como iremos agir no mundo,colocar nossas idéias em prática. Por isso Marx reinventa a dialética, pois antes  dos estudos de Marx , o pensamento não levava  a ação.Por isso suas idéias são revolucionárias, pois elas transformam a forma de pensar do Homem e proporciona a possibilidade das maiorias pensarem e  também agirem para melhorar suas condições.
  Marx  continuou sua formulação e chegou  a conclusão de que tudo que estudamos nos leva  a prática: ou deve nos levar. Ele se referiu  àquela ação que transforme, que melhore, que mude hor  a vida das maiorias pobres. Da mesma forma  que o pensamento leva  a ação a ação humana, levará a um melhor pensamento sobre como agir: Era a teoria do materialismo dialético.  Por isso,quando pensava sobre a História, não mais pensava nos feitos dos reis , heróis, impérios, religiões  e sim na ação dos homens comuns ,  a sua vida, seu trabalho, a pobreza: Era sobre os seus meios de produção – a técnica - e de como melhorar suas vidas,  a partir de uma base econômica: As relações de produção. Dessa forma, Marx propôs  uma forma de pensar a História das maiorias. Marx concluiu  que  nenhuma religião, governo ou sociedade, desde a antiguidade não foram observadas, estudadas da mesma forma ao longo do tempo: Mas em todos os momentos esta História foi marcada por opressores e oprimidos, que Marx identifica como luta de classes: 
O Materialismo Histórico estudado por Marx, fazia aparecer  as diferenças sociais.
Nesse sentido é  que  os bens retirados da natureza não favoreciam as maiorias e sim  aos donos da tecnologia e do dinheiro – a burguesia . A natureza, a tecnologia e o Homem foram definidos por Marx como forças produtivas.  Marx percebeu que não havia harmonia entre estas forças, pois os bens retirados da natureza com a força de trabalho humana e com o uso da tecnologia ( que ajudava a retirar mais da natureza e melhorar a vida das maiorias) só favorecia a quem era dono das forças produtivas: A burguesia. Já  a tecnologia,  a força de trabalho e o campo  foi expropriado das maiorias dos trabalhadores.
Marx então escreveu que só havia uma forma diante da História  das maiorias exploradas saírem da condição desumana que viviam sem acabar com a  natureza : O Comunismo.  Assim deveriam superar o Capitalismo que tem como principal meta, o lucro. Acabando com o lucro, a destruição da natureza acabaria, e o Homem  não seria mais explorado e poderia  viver em comum  como os demais Seres  Humanos, e em equilíbrio com a Natureza.
A Ditadura do Proletariado, ou a Democracia Socialista estudada por Marx  se deu a partir das lutas do proletariado em 1848, a Revolução Francesa de 1789, e principalmente com a Comuna de Paris  em 1871. Foi o primeiro exemplo de como poderia funcionar uma  Sociedade com princípios comunistas. Dos princípios mais importantes  da Comuna temos a separação da Igreja com o Estado,  as fábricas que passaram a ser  administradas pelos próprios operários, os funcionários do governo passaram a ser eleitos pela maioria com o mesmo salário do operário especializado, e o poder policial, ou seja, a polícia, foi abolida.
Estas medidas só foram possíveis a partir de um princípio: a Democracia Socialista, estudada por Marx.  A Democracia Socialista  significou  a experiência  da  maioria dos “ Comunards” que votavam cada medida após a tomada de Paris, e todos deveriam  pôr em prática:  ainda que individualmente ou a minoria não concordasse. Não seria mais uma sociedade governada pela minoria, ou por pessoas individualmente, mas pelas maiorias.  O termo  “Ditadura do Proletariado”  possui o mesmo sentido que “Democracia Socialista”. Devemos ter em mente que neste caso a Ditadura não se refere aos governos autoritários, do Socialismo soviético de Stálin,  nem de Hitler na Alemanha  do  século XX, mas   a uma possibilidade  de  Democracia Real, construída sem  os vícios e os discursos  prontos do século XX, mas  sim  onde e quando  surgiu, como aconteceu a idéia de uma Sociedade justa – A Comuna de Paris de 1871. Não é  a toa  que  no ano de 2011  a Comuna completa seus 140 anos e tem sido comemorada e estudada no mundo inteiro até os dias de hoje. Foram Ideais  experimentados  em 1871 e que são importantes para refletirmos sobre que Sociedade nós queremos e, quando, onde  e de que forma  elas surgiram.