Por volta do século 1, no norte da atual Etiópia, surgiu um dos mais importantes reinos africanos: Axum. No final do século 3, Axum já tinha grande influência na região, pois havia conquistado diversos povos vizinhos, inclusive o Reino de Cuxe.
A maior parte dos axumitas vivia da criação de gado – bois, cabras e asnos – e do cultivo de cereais. Porém, o poder do Império de Axum vinha do controle de importantes redes comerciais no mar Vermelho, que ligava o Oriente ao Ocidente, e no oceano Índico, com as ilhas da Oceania.
Pelo famoso porto de Adúlis, na atual Eritreia, os axumitas vendiam marfim, ouro, pedras preciosas, gado, incenso, chifres de rinocerontes e escravos. Por ali também chegavam porcelana e seda, entre outras mercadorias produzidas por povos do Oriente, como indianos e chineses. O porto movimentava, ainda, produtos de povos europeus, como vinho e azeite.
Para facilitar as transações comerciais, havia a moeda axumita, cunhada em prata, ouro ou bronze. Também houve o desenvolvimento da escrita em gueze ou ge’ez, que deu origem a línguas faladas até hoje na Etiópia.
Os axumitas cultuavam diversas divindades. Marém, a principal delas, era ao mesmo tempo o deus do céu, da guerra, da família real, rei dos deuses e pai divino do soberano de Axum. Havia também Beer (deus da terra) e Meder (deusa feminina ligada aos ciclos agrícolas).
Sob o reinado de Ezana, porém, uma nova religião foi difundida no império. Como a cidade de Axum era um importante centro comercial, muitos estrangeiros passavam pelo local e traziam com eles conhecimentos e costumes. Por meio deles, o cristianismo foi introduzido no império.
Por volta do ano 330, o rei Ezana converteu-se ao cristianismo e tratou de propagar a nova religião entre seu povo, eliminando a tradição da construção de estelas para homenagear os soberanos mortos: a sua estela foi a última delas. A partir de então, os axumitas começaram a construir igrejas cristãs, como a de Santa Maria de Sião.


