terça-feira, 3 de novembro de 2026

Alguns movimentos abolicionistas

 

No início do Império do Brasil, entre 1822 e 1850, a luta contra a escravidão manifestou-se principalmente em resistência cotidiana dos escravizados, tais como fugas, formação de quilombos, revoltas e debates legislativos e intelectuais. Nessa época as ações antiescravistas concentravam-se na pressão pelo fim do tráfico negreiro e em propostas de emancipação gradual.

Neste período da Independência do Brasil, as rebeliões de escravizados ocorreram principalmente na Bahia. Os escravizados se levantarem em busca de liberdade, e tanto brasileiros quanto portugueses tentaram, em algum momento, mobilizá-los prometendo alforria.

Além dessas revoltas, o período foi marcado por fugas em massa e também requerimentos formais de liberdade. Em abril de 1823, na Bahia, escravizados crioulos chegaram a organizar petições formais para pedir a liberdade às autoridades, o que foi recebido com violência pelos senhores. A instabilidade política da Independência abriu uma janela de oportunidade que os escravizados tentaram explorar, mas a resposta da elite foi rápida e violenta para garantir a manutenção da ordem escravista.

Maria Felipa de Oliveira, líder da luta pela Independência na Bahia:Marisqueira, pescadora, capoeirista que usou galhos de cansação para surrar soldados que desembarcavam na Ilha de Itaparica em 1823, incendiando 40 embarcações inimigas. Se tornou heroína da Pátria.


Entre as rebeliões organizadas, houve o Levante de Pirajá que aconteceu em Salvador em 1822. Durante os combates entre as tropas independentistas brasileiras e as forças portuguesas na região de Pirajá, cerca de 200 escravizados africanos atacaram as posições do exército brasileiro. Este acontecimento refletia a própria busca dos cativos por liberdade em meio ao caos da guerra de independência. O levante foi brutalmente reprimido, com cerca de 50 escravizados fuzilados pelo exército brasileiro.

Largo do Pirajá foto de Valter Pontes para o Correio 24 horas em ocasião da inauguração para as comemorações de 02 de julho em Salvador

Já a "República Negra" de Guarapari, que ocorreu no Espírito Santo em 1822, foi uma tomada de poder duradoura. Escravizados de duas fazendas abandonadas (Campos e Engenho Velho) se revoltaram, mataram um padre que tentou restaurar a ordem e tomaram posse das terras. Formaram uma comunidade com quase seiscentos habitantes que as autoridades chamavam de "contínuo quilombo" que tentaram destruir sem sucesso.

O Levante em São Mateus, também no Espírito Santo, se deu no início da década de 1820, na Vila de São Mateus, onde  circularam "conversas de pretos" sobre uma suposta ordem real de alforria. A tensão culminou em uma revolta, e um liberto chegou a se autoproclamar "rei". A repressão foi exemplar: quatro quilombolas foram capturados e decapitados, com as cabeças expostas em estacas pela vila para  causar horror a quem tentasse se libertar novamente.

Houve também o Motim na Real Feitoria do Linho-Cânhamo  no Rio Grande do Sul, em 1822. Em uma feitoria estatal no sul do país, escravizados se rebelaram após terem mantimentos roubados por soldados. Eles enfrentaram a tropa armados e forçaram a retirada dos militares. Líderes como Ventura e José da Glória foram punidos e enviados para Porto Alegre.

Feitoria quando reutilizada para imigrantes alemães e reformada em 1942. Foto tirada pelo Jornal Gaz.com.br

A forma mais direta de luta foi a resistência organizada pelos próprios escravizados. Além das fugas individuais, a formação de quilombos, comunidades de afrodescendentes escravizados que fugiam em busca de um lugar livre para viver, foi uma estratégia de resistência coletiva e generalizada em todo o Brasil. No Rio de Janeiro da década de 1830, quilombos como os de Iguaçu não apenas se sustentavam, mas também estabeleceram redes de comércio e informação com taberneiros, pequenos comerciantes e escravizados, ameaçando a ordem escravista local. Além disso, ocorreram revoltas planejadas, sendo a mais conhecida a Revolta dos Malês em Salvador (1835), organizada por africanos islamizados, que foi brutalmente reprimida e gerou grande repressão por parte das elites. Na região do Vale do Paraíba, a Revolta de Manoel Congo (1838) envolveu mais de 200 escravizados de diversas fazendas, que resistiram por cinco dias antes de serem derrotados.

As Ganhadeiras e a casa de Zungu: As mulheres e seu papel central na luta contra a Escravidão. Desenho de Pallière de 1865

No plano institucional, o período inicial do Império foi marcado por pressões internacionais (especialmente da Inglaterra) e por vozes isoladas, mas ainda sem força para abolir a instituição escravista, como a Lei do Slave Trade Act do Reino Unido, que baniu o comércio de pessoas para escravização em 1807 em seu império.

Ilustração sobre a  Rebelião dos Malês  de 1835


No império de D. João VI, José Bonifácio, em 1823, apresentou à Assembleia Constituinte uma representação propondo a abolição gradual em cinco anos, mas a proposta não prosperou. A principal conquista legislativa dessa fase foi a Lei Feijó de 7 de novembro de 1831, conhecida como "Lei para inglês ver", promulgada após pressão britânica, que declarou livres todos os africanos que entrassem no Brasil a partir daquela data. No entanto, a lei foi amplamente desrespeitada e o tráfico continuou intensamente até 1850, quando outra lei do então ministro Eusébio de Queiroz determinava o fim do Tráfico de pessoas africanas para serem escravizadas no Brasil. O governo passou a ignorar a entrada de tumbeiros e o tráfico de pessoas neste período aumentou com mais de 470 mil africanos chegando ao Brasil.

A Lei do secretário de Assuntos estrangeiros do Reino Unido Bill Alberdeen  permitiu a marinha britânica aprisionar navios que traficavam africanos pelo Oceano Atlântico e invadir águas brasileiras para aprisionar tumbeiros, mas os fazendeiros se organizaram em represália. O desembarque clandestino passou a funcionar com força. Estima-se que cerca de 38 mil africanos tenham entrado ilegalmente no Brasil neste período, quando as elites escravista- latifundiária atuou violentamente para garantir seus interesses.

A grande virada na organização do movimento abolicionista, com clubes, imprensa engajada e atuação parlamentar sistemática, ocorreria mais fortemente a partir da década de 1860 e, principalmente, 1870.

A partir de 1850, com a Lei do fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós), a luta contra a escravidão no Brasil ganhou novos contornos. As revoltas de escravizados passaram a coexistir com um movimento abolicionista organizado e com formas de resistência jurídica e cotidiana, tal como os Levantes contra o Registro Civil entre1851-1852. Uma das maiores ondas de revolta popular do período. Camponeses pobres, libertos e escravizados no Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Alagoas) pegaram em armas contra a lei de registro civil e o censo. A notícia que se espalhou era de que o registro tinha o objetivo de "escravizar os homens de cor livres", e a população reagiu com violência, resultando em mortes e confrontos com autoridades.

Uma parte do mapa do Quilombo de Iguaçú, na Baixada Fluminense

Houve também a Agitação em Recife de 1853. Uma  onda de rumores tomou conta da cidade, quando escravizados e libertos acreditavam que uma lei de liberdade já havia sido aprovada, mas que os senhores escondiam a informação. A polícia prendeu suspeitos de organizar um plano para forçar a aplicação da lei, e alguns foram condenados a açoites .

Os quilombos e a resistência cotidiana continuaram sendo uma forma central de resistência. As autoridades monitoravam constantemente as fronteiras e as matas em busca de escravizados que se organizavam nessas comunidades, que representavam uma ameaça constante à ordem escravista.

Ações Judiciais e "Falsas" Liberdades: A resistência também se dava nos tribunais. Pessoas que viviam como livres, mas eram acusadas de serem escravas (como o caso de João Potro no Sul), precisavam mobilizar redes de apoio e provas judiciais para garantir sua liberdade, mostrando que o cativeiro era constantemente contestado na justiça .

 O Caso Sirinhaém  de 1855, embora não seja um levante, este episódio mostra a resistência ao tráfico ilegal. Um navio negreiro desembarcou em Pernambuco, e cerca de 50 cativos desapareceram entre os engenhos, revelando a continuidade da luta pela liberdade mesmo após a proibição do tráfico.

É importante notar que, após 1850, a luta contra a escravidão deixou de ser apenas uma reação desesperada e passou a pressionar o sistema por dentro. O medo de revoltas como as de 1852 forçou o governo a repensar o registro civil, enquanto o movimento abolicionista (que ganharia força nas décadas seguintes) começava a se articular com advogados, jornalistas e políticos para minar a legitimidade da instituição.

A partir de 1870 houve também lutas abolicionistas que se deram a partir da ação direta de trabalhadores urbanos e marítimos que, através de suas próprias categorias, minaram a estrutura escravista. Enquanto no Ceará os jangadeiros paralisaram o tráfico nos mares, no Sudeste o padeiro João de Mattos utilizou greves para viabilizar fugas em massa.

 A Greve dos Jangadeiros no Ceará se deu em 1881 a partir da recusa dos jangadeiros em transportar pessoas escravizadas em suas jangadas. Mesmo com as Leis para o fim do tráfico de pessoas afrodescendentes para serem escravizadas, a venda de escravizados para outras províncias tornou-se uma fonte de receita para o Ceará. O porto de Fortaleza não tinha profundidade para navios grandes, exigindo o uso de jangadas para levar os cativos até os tumbeiros. Em janeiro e agosto de 1881, liderados por Francisco José do Nascimento - o Dragão do Mar - os jangadeiros cruzaram os braços e se recusaram a fazer esse transporte.


Desenho original de Angelo Agostini publicada na Revista Ilustrada em 1884, homenageando o jangadeiro cearense Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, também conhecido como Dragão do Mar.

Essa greve chegou a reunir cerca de três mil pessoas em apoio na Capitania dos Portos, paralisou o tráfico e impediu o embarque de escravizados. Essa pressão foi fundamental para que o Ceará se tornasse a primeira província a abolir a escravidão, em 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea.

Outra luta abolicionista  importante, foi de João de Mattos, que trouxe  a organização sindical combinada como  abolicionismo radical no Sudeste. Entre 1876 e 1880, João de Mattos organizou paralisações que ele chamava de "levantes", em padarias de Santos, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante essas greves, ele fornecia cartas de alforria falsificadas para que os trabalhadores escravizados que trabalhavam nas padarias pudessem fugir e se estabelecer como libertos .

Uma parte do histórico escrito pelo padeiro João de Mattos sobre a sua luta

No Rio de Janeiro, fundou o "Bloco de Combate dos Empregados em Padarias", que operava na clandestinidade sob a fachada de um "curso de dança". Seu lema era "Pelo Pão e pela Liberdade", unindo a luta por melhores condições de trabalho à causa abolicionista. Preso diversas vezes, foi defendido pelo abolicionista Saldanha Marinho. Muitas décadas mais tarde foram encontradas por pesquisadores um "Histórico Social" de suas lutas, em que ele escreve num papel na Casa de Detenção, sobre seu legado para a luta abolicionista.

 A abolição não foi um movimento de elites intelectuais, mas o resultado da coragem de trabalhadores que usaram suas posições estratégicas para sabotar e enfraquecer o sistema escravista.


Fontes:

· NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. (Publicado originalmente em 1883).

· PÍCOLI, Mariana de Almeida. Ideias de liberdade na cena política capixaba: o movimento abolicionista em Vitória (1869/1888). Dissertação (Mestrado em História) – UFES, 2009. 

· SCHIAVON, Carmem G. Burgert. A primeira Sociedade de Emancipação de Escravos do Brasil. Paper apresentado no 4º Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, Curitiba, 2009.

· SOUZA, Felipe Azevedo. Resenha sobre Slave Emancipation and Transformations in Brazilian Political Citizenship (de Celso Thomas Castilho). Revista Brasileira de História, v. 37, n. 75, 2017. 

· ALBUQUERQUE, Wlamyra. O jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 

· MAMIGONIAN, Beatriz Gallotti. Africanos livres: a abolição do tráfico de escravos no Brasil. Companhia das Letras, 2017. 

· MOURA, Clóvis. [Obras sobre o abolicismo e a resistência negra

https://primeirosnegros.com/bahia-linha-do-tempo-na-luta-por-liberdade/


segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Império de Axum

 Por volta do século 1, no norte da atual Etiópia, surgiu um dos mais importantes reinos africanos: Axum. No final do século 3, Axum já tinha grande influência na região, pois havia conquistado diversos povos vizinhos, inclusive o Reino de Cuxe.



A maior parte dos axumitas vivia da criação de gado – bois, cabras e asnos – e do cultivo de cereais. Porém, o poder do Império de Axum vinha do controle de importantes redes comerciais no mar Vermelho, que ligava o Oriente ao Ocidente, e no oceano Índico, com as ilhas da Oceania.


Pelo famoso porto de Adúlis, na atual Eritreia, os axumitas vendiam marfim, ouro, pedras preciosas, gado, incenso, chifres de rinocerontes e escravos. Por ali também chegavam porcelana e seda, entre outras mercadorias produzidas por povos do Oriente, como indianos e chineses. O porto movimentava, ainda, produtos de povos europeus, como vinho e azeite.

A estela do Rei Ezana, atualmente no Parque das Estelas de Axum, levadas para Roma após invasão italiana em 1935, devolvida em 2005 à Etiópia e montada no Parque das Estelas do sítio arqueológico de Axum. 35 metros de altura

Para facilitar as transações comerciais, havia a moeda axumita, cunhada em prata, ouro ou bronze. Também houve o desenvolvimento da escrita em gueze ou ge’ez, que deu origem a línguas faladas até hoje na Etiópia.



Os axumitas cultuavam diversas divindades. Marém, a principal delas, era ao mesmo tempo o deus do céu, da guerra, da família real, rei dos deuses e pai divino do soberano de Axum. Havia também Beer (deus da terra) e Meder (deusa feminina ligada aos ciclos agrícolas).


Sob o reinado de Ezana, porém, uma nova religião foi difundida no império. Como a cidade de Axum era um importante centro comercial, muitos estrangeiros passavam pelo local e traziam com eles conhecimentos e costumes. Por meio deles, o cristianismo foi introduzido no império.



Por volta do ano 330, o rei Ezana converteu-se ao cristianismo e tratou de propagar a nova religião entre seu povo, eliminando a tradição da construção de estelas para homenagear os soberanos mortos: a sua estela foi a última delas. A partir de então, os axumitas começaram a construir igrejas cristãs, como a de Santa Maria de Sião.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Visita ao Museu da República: a Vida das elites entre Grécia e Roma



As classes dominantes no Brasil e no mundo se identificaram ao longo dos séculos, com as culturas gregas e romanas. Esta é uma chave de interpretação importante para compreendermos as origens dos preconceitos com as diversas origens que nós brasileiros fazemos parte, já que Grécia e Roma são partes fundamentais da constituição do mundo europeu ocidental. 



Neste sentido, a língua grega, que apresentava algumas variações em cada comunidade grega, se autodenominava helenos, e chamavam de bárbaros todos os povos que não falavam grego.


A Grécia antiga tinha o comércio marítimo como principal atividade econômica e o crescimento populacional e busca por ampliação  de atividades comerciais estimularam a colonização ao sul da península itálica, denominada Magna Grécia, Costa do Mar Negro, no Norte da África e em parte da Ásia, onde se difundiu sua cultura e costumes.


Há cerca de 2.800 anos, a população da Grécia Antiga cresceu, o que contribuiu para o surgimento de novas cidades, chamadas de poleis ou cidades-estados. As poleis eram independentes, mas tinham algumas características em comuns, tais como as áreas urbanas e rurais que eram separadas por muralhas: enquanto na área urbana havia uma parte mais alta denominada Acrópole (  onde se localizava os templos dos deuses);na parte mais baixa ficavam o mercado, as praças  e as  moradias. Na ágora, a praça principal da pólis, os gregos podiam debater política e assuntos relacionados à cidade-Estado.


A Acrópole era o local religioso, onde foi construído um templo, o Partenon, dedicado ao culto da Deusa Atena, considerada protetora dos atenienses, que atualmente é considerado um dos monumentos antigos mais importantes da Europa.

Como a religião era um dos principais elementos que uniam  as cidades gregas, cada pólis tinha seus próprios deuses e deusas e todos faziam parte de um mesmo panteão, que era o conjunto de deuses e deusas cultuados por um mesmo povo.


De acordo com a religião grega, o início do mundo havia o Caos, um grande vazio escuro. Então surgia Gaia, a terra, e Urano, o céu. O casamento entre os dois gerou Titãs, seres de força e tamanho gigantescos, e o mais importante deles era Cronos, o senhor do tempo. Este por sua vez, casou com Reia e, juntos deram origem a todos os deuses.



Zeus, líder dos deuses, teria se rebelado contra seus pais, destituindo-os do poder sobre o mundo, passando então a controlar os Titãs. Os gregos assumiam que essa transformação deu início à era dos Deuses que habitavam o Olimpo, um monte que ficava no céu. Os Titãs  Epimeteu e Prometeu forma encarregados pelos deuses de criar os seres que habitaram a terra. Com barro, eles criaram os seres humanos e os animais.




 Os deuses gregos eram parecidos com os humanos, distinguindo-se principalmente pela imortalidade. Cada um deles teria dado à humanidade determinados poderes e conhecimentos tal como Atena, por exemplo, que seria responsável pela habilidade humana de raciocinar.


As poleis eram governadas pela aristocracia. Algumas poleis permitiam a participação das assembleias populares nas decisões, mas em Atenas o poder aristocrático foi questionado pelos camponeses, artesãos e comerciantes em  que eram excluídos da vida política e isso resultou em uma grande tensão social. Para resolver o conflito, o legislador Sólon, há 2.600 anos, reformou as leis atenienses com a criação da Eclésia, que era uma assembleia popular onde os cidadãos maiores de 18 anos podiam participar. 

Foi no governo de Clístenes que foi implantada a democracia em Atenas, quando a Eclésia ganhou plenos poderes, com ricos e pobres participando diretamente nos assuntos políticos da pólis; porém, apenas os homens, filhos de pai e mãe atenienses eram considerados cidadãos, excluindo as mulheres, os estrangeiros (metecos) e os escravos da participação politica no país.






   Se você não foi ao Museu, pode fazer uma visita virtual com o link que segue:

https://artsandculture.google.com/story/o-pal%C3%A1cio-do-catete-e-os-vest%C3%ADgios-de-seus-tempos-uma-investiga%C3%A7%C3%A3o-virtual-museudarepublica/kwVhj9yO2lBaBA?hl=pt-BR



Roma, outra referência de governo das classes dominantes em nosso país foi fundada há 2770 anos. e de acordo com o mito de sua origm, teria sido fundada pelos gêmeos Rômulo e Remo, filhos da união entre uma mulher mortal e Marte, o deus da guerra. Quando eram bebês, a morte deles foi decretad pelos deuses. Parasalvá-los a mãe escondeu os filhos  num cesto que foi lançado no Rio Tibre. Eles teriam sido salvos por uma loba que os amamentou até ser encontrada por um pastor e sua esposa. Já adultos, os gêmeos teriam descoberto suas origens e então fundaram a cidade de Roma. São esses mitos que fazem parte da antiguidade e serviram à vida política, social, cultural e econômica neste período.



A primeira forma de governo de Roma foi a Monarquia. Neste período, os reis concentraram poderes civil e militar e a sucessão era de pai para filho. Mas desde o início, o senado romano era o órgão político máximo. Durante a Monarquia, o Senado era formado pelo Conselho dos Anciãos, responsável por escolher os reis, criar as leis e limitar o poder do Rei. Mas para chegar  ao Senado, era necessário ser membro de uma família tradicional e ter exercido alguns cargos públicos. Desse modo, só os mais velhos exerciam a função de senador.

A monarquia romana chegou ao fim há cerca de 2600 anos após uma revolta contra o abuso de poder do rei. Em seu lugar foi proclamada a república (do latim res publica), que significa " coisa pública". Inicialmente , o poder do Estado passou para a mão dos patrícios, que eram ricos proprietários de terras e consideravam-se descendentes dos fundadores de Roma. Eles escolhiam dois cônsules responsáveis por presidir o senado e as assembleias populares que era formada por plebeus que elegiam os magistrados(governo), votavam leis e declarações de guerra. Com o tempo, os plebeus, que eram pessoas que trabalhavam no comércio, no artesanato, na agricultura, na criação de animais e eram obrigados a servir o exército, ganharam mais voz na vida política romana. Já os escravos eram prisioneiros de guerra e em geral, eram responsáveis  pela maior parte dos trabalhos manuais, como a lavoura e o artesanato.
Os movimentos de revolta  levaram ao tribuno da plebe, pessoa responsável por defender os plebeus com a lei das doze tábua, e com o tempo, também puderam se candidatar ao cargo de Consul. A colonização esteve presente nesses  2200 anos: Península itálica, norte da África, sul da península ibérica, ilhas do mediterrâneo e regiões da Ásia, com exércitos profissionalizados e alcançando  poder político.
Fontes:
 Visita dos estudantes do Amaro ao Museu da República, 2026.
 RODRIGUES, M. Vinicius M, "Um Palácio quase Romano: O palácio do Catete e a invenção de uma tradição clássica dos trópicos" RJ: Museu da República, 2017.






segunda-feira, 8 de junho de 2026

Algumas Histórias Indígenas no Litoral do Rio de Janeiro: relatos transdisciplinares

A escolha por irmos na Exposição  "Eu chorei rios" da Fundação Getúlio Vargas(FGV) neste trimestre, possui  relevância quanto a forma de aprendizagem,  o aspecto relacional, os encontros, descobertas, laços entre as turmas,  colegas e professores; mas também na  aprendizagem do conteúdo em si.


Neste trimestre, tivemos sorte, pois ao marcarmos a visita, a FGV nos ofereceu  lanche e um ônibus top de linha!  Foi ótimo  porque a nossa merenda escolar anda muito rasa! E também  porque nos poupou canela e curtimos o conforto e a comodidade que merecemos!

Quanto ao estudo da História, a exposição apresentou relação  com o conteúdo  que estamos estudando  em sala de aula, sobre o período anterior ao Brasil ter este nome, e que se chamava Pindorama, depois Terra de Santa Cruz ou Ilha de Vera Cruz.
Na semana anterior, assistimos um trecho do  documentário " Guerras do Brasil" seguido de uma aula expositiva interdisciplinar sobre a História  e a Sociologia dos primeiros habitantes  há 14 mil anos, com os povos indígenas tapuias que por sua vez, eram povos guerreiros e viviam em busca de seus sonhos e eram povos nômades,  e habitavam certos lugares de acordo com a  estação, os alimentos disponíveis e  a sazonalidade. 


Sobre a primeira fase da colonização no litoral do Rio de Janeiro vimos as últimas lutas valentes entre os povos indígenas  decididos a resistir à escravidão, à invasão e ao apagamento entre 1554  e 1557  e que culminou  na vitória dos portugueses e na fundação do Rio de Janeiro por Mem de Sá. Nesta luta, os Tupinambás e os Temiminós  se dividiram contra os colonizadores  franceses e portugueses,  na Guerra dos Tamoios, o que lhes valeu a derrota, mas sem antes alçar uma flecha envenenada que atravessou a armadura do então líder da expedição  colonizadora de Estácio de Sá, que por sua vez, agonizou semanas antes de morrer.

Já no século XIX,  com a fase neocolonialista europeia,  os botocudos também  enfrentaram os portugueses no litoral do Rio de Janeiro, quando a família real fugiu para cá durante a invasão de Napoleão(que se proclamou imperador francês) em Portugal.
Nesta ocasião,  D.João VI   fez uma expedição de fuga para cá com diversas naus fortemente armadas e se organizaram para lutar contra os botocudos que resistiram bravamente contra a escravização  e a colonização deste período.
"Pela perspectiva da Sociologia, a visita à exposição foi muito proveitosa para refletirmos todos juntos sobre o conceito de cultura: os símbolos e significados que os grupos humanos compartilham. Percebemos que não apenas a arte dos povos originários revelam diferentes cosmologias, tal como a obra Kape Tawa Pukeni (História do Jacaré) que conta a origem do povo, como também a sobrevivência de muitos desses grupos nos lembrou que a cultura nunca é estática, é dinâmica em constante transformação e conservação. 

Além disso, foi muito interessante observar na exposição um tapete que reconstrói o olhar externo da recém chegada dos europeus na América, revelando um ótimo exemplo de etnocentrismo quando tendemos a julgar os outros a partir de nossos próprios padrões culturais. Podemos observar o olhar externo e compará-lo com o olhar interno: O europeu encontra uma terra selvagem e cheia de perigos, com animais ameaçadores; já o próprio morador se acha ao encontro comunitário e numa natureza percebida em harmonia, tecendo tramas que enlaça o coletivo  conectada à natureza. 

Junto a isso, pudemos posteriormente por meio do documentário “Guerras do Brasil”, pensar que ainda hoje muitos povos originários vivem em constante ameaça de desaparecimento, em que nossa atitude etnocêntrica muitas vezes reforça a normalização desse processo que Krenak alerta em toda sua trajetória. 

Por fim, amarramos essas várias questões com uma última atividade do trimestre em que assistimos ao filme “Encantadora de baleias”, que narra a história da menina Paikea dentro de uma tribo Maori na atualidade, ela que supera os estigmas negativos sobre si pela tradição de sucessão do chefe da tribo pela linhagem masculina. Através do exemplo do filme, pudemos verificar a construção dos gêneros, que não são determinados pela natureza, mas sim como papéis sociais que podem ser recusados e refeitos.

As atividades foram importantíssimas não somente para produzir tais reflexões ligadas a nossa história social humana, mas também para gerar ricas participações dos alunos, como quando descobrimos a ancestralidade de um deles relacionada aos povos indígenas."
 
                                                                            Fabíola Camargo  (História)
                                                                            Caio Lopes  (Sociologia)
                                                                           Tatiana Linhares  (Sociologia)

 






1)A partir  da nossa visita à exposição "Eu chorei Rios", do documentário " Guerras do Brasil" e nossas aulas, relate sua experiência em cada uma dessas etapas, destacando o que mais te chamou atenção. Faça isso da seguinte forma:
a) Faça um relato num parágrafo de como foi a sua visita à exposição:
b) Num outro parágrafo, descreva o que chamou a sua atenção no texto " O mundo não existia", de Ailton Krenak que lemos em sala de aula juntos:
c) Neste parágrafo, descreva a sua experiência ao assistir o trecho do documentário " Guerras do Brasil" que discutimos em aula:
d) A partir do caderno de atividades da exposição, apresente  a ideia de "Novo Mundo" na Cosmologia do povo Guarani?
Fontes:
Kaká Werá Jecupé. A terra dos mil povos: história indígena do Brasil contada por um índio. 2 ed. SP, Peirópolis, 2020.

Exposição "Eu chorei Rios", FGV. RJ, 2026.

Documentário "Guerras do Brasil." Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=76G6rvIFclc

Caderno de atividades da Exposição " Eu chorei Rios" do Programa Educativo da FGV Arte.



 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Introdução aos Estudos Históricos

 


1) Contexto histórico

Contexto histórico se refere ao conjunto de condições, eventos, circunstâncias que cercam o acontecimento histórico, o que estava acontecendo ao mesmo tempo em que o fato histórico estava sendo estudado. O geógrafo Milton Santos deu uma definição de contexto histórico a partir da ideia de paisagem,  se referindo as relações  entre os seres humanos e a natureza num mesmo espaço e também ao mesmo tempo.


Criado em 03/04/2026 a partir do https://chatgpt.com/s/m_69d05fcf66dc81918beaca6fb30fcb73

Fizemos uma roda com a brincadeira "Fui ao mercado e comprei..." Cada um/a trouxe uma ideia de produto do mercado e nos vimos num mesmo lugar num mesmo tempo. Este lugar, o mercado foi o contexto, a paisagem que criamos ao visualizar os diversos produtos de um mesmo momento e assim compreendemos melhor o que significa contexto histórico.

2) As Fontes Históricas:

As Fontes Históricas Se referem aos estudos das ações Humanas ao longo do tempo. Todos os objetos são fontes de estudos. Para uma leitura dos objetos numa perspectiva da História, estes estudos nos ajudam a conhecer os caminhos que a Humanidade percorreu no passado para que no presente não precisemos errar novamente ou que tenhamos  exemplos de como foi vivido para acertarmos em nossa caminhada no presente. Esta forma de observar os objetos e lugares é que denominamos Fontes Históricas.

Tipos de Fontes Históricas:

 


BARROS, J.A." Fontes Históricas: Introdução aos seus usos historiográficos. Petrópolis, RJ.Ed. Vozes, 2019.

 O fóssil de Luzia reacendeu o debate sobre os primeiros habitantes nas Américas e apesar de ter sido queimado no incêndio no Museu Nacional, não deteriorou completamente a fonte histórica:



Fóssil de Luzia- Museu Nacional

“Os principais achados da pesquisa da Science, que sequenciou 15 genomas antigos extraídos de ossos encontrados desde o Alasca até a Patagônia, são evidências genéticas de que os primeiros ocupantes humanos da América se dispersaram rapidamente pelo continente e se diversificaram cedo, conforme migravam para o sul. O resultado desta expansão teria sido uma multiplicidade de migrações independentes e geograficamente desiguais”

https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/dna-antigo-conta-nova-historia-sobre-o-povo-de-luzia/

 

Lembre-se de um objeto importante para você. Qual é o objeto? Qual a importância deste objeto em sua Vida? Como este objeto chegou em suas mãos? Há quanto tempo este objeto faz parte da sua vida?

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A partir do quadro sobre os tipos de fontes históricas, destaque duas fontes de natureza material, duas fontes imateriais e quatro fontes de conteúdo:

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3)Memória: Lembrança ou esquecimento importante na História falada, sentida ou escrita pelos sujeitos históricos, grupos ou classes sociais no passado ou no tempo presente.

Criado em 03/04/2026.https://chatgpt.com/s/m_69c1e8db8e108191898d980f3fb9564f

Como exemplo de Memória, fizemos uma roda com o jogo “telefone sem fio”. Com este jogo, identificamos o quanto precisamos do grupo para lembrar e que toda a memória, mesmo individual, é construída coletivamente.

4)Lugares de Memória: A foto ao lado do jogo trata da nossa visita ao Museu Oi Futuros e que é um lugar de Memória no qual resguarda algumas fontes históricas e a memória da telecomunicação no Brasil. Outros exemplos são os arquivos bibliotecas, espaços culturais, bairros, ruas, indivíduos, instituições e etc... “O espaço é acumulação desigual dos tempos.” Esta frase de Milton Santos, nos fornece uma chave de interpretação importante, ao identificar as ruas. Cada lugar, prédio ou asfalto, pertence a um determinado contexto/período, que traz  a marca do tempo no qual foi construído.


 

QQUESTÃO/UERJ 2011:

 



O Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravizados das Américas, recebeu em 2017o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. A distinção define o Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro, como um “lugar de memória”, ao lado de outros, como o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão. Inaugurado em 1811, o cais logo se converteu no principal ponto de desembarque de africanos escravizados das três Américas. Localizado a poucos passos do Palácio Real, não era raro aos monarcas brasileiros ver os africanos, apressadamente desembarcados, sendo separados de suas famílias, limpos, vestidos, pesados, tendo seus corpos marcados a ferro. Começava, então, uma nova viagem. Dessa vez, rumo à tentativa de desterritorialização e de invisibilização dos africanos, de quem se procurava apagar a memória, qualquer laivo de identidade e orgulho que carregavam de suas nações. Vários viajantes passaram pelo Valongo e constataram o triste espetáculo que se apresentava naquele mercado, dentre eles o artista Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Em 1911, o Cais do Valongo foi aterrado, da mesma maneira como se tentou esconder e esquecer “os males e as lembranças dos tempos da escravidão”.

Esse era o discurso civilizatório da Primeira República, que procurava jogar para o Império a conta da escravidão, cuja culpa é de todos nós.
“Redescoberto” 100 anos depois, o Cais do Valongo é hoje um sítio arqueológico que expõe na nossa atualidade as perversões do sistema escravocrata, mas também testemunha a resistência dessas populações. Trata-se do mais importante acervo de vestígios materiais e simbólicos localizado fora da África, com quase 500 mil itens.

 

A expressão “lugar de memória” foi criada pelo historiador francês Pierre Nora. Seu objetivo era justamente evitar o desaparecimento dos registros históricos, como arquivos, monumentos, museus e certos espaços específicos. Podem ser desde objetos materiais e concretos até vestígios imateriais e orais. O importante, porém, é que eles só se convertem, efetivamente, em “lugares de memória”, se a imaginação coletiva investi-los como lugares simbólicos.


Conforme define Alberto da Costa e Silva: “O Brasil é um país extraordinariamente africanizado. E só a quem não conhece a África pode escapar o quanto há de africano nos gestos, nas maneiras de ser e de viver e no sentimento estético do brasileiro. Por sua vez, em toda a costa atlântica da África, podem-se facilmente reconhecer os brasileirismos. O escravo ficou dentro de nós, qualquer que seja nossa origem.”

                                                                                         LILIA MORITZ SCHWARCZ

                                                                                        Adaptado de nexojornal.com.br, 31/07/2017.

 

um “lugar de memória”, ao lado de outros, como o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão. (l. 3-4)

 

A comparação acima inclui o Cais do Valongo no conjunto de lugares de memória pelo reconhecimento do seguinte atributo comum:

A)     Valor utópico

B)      Natureza subjetiva

C)      Expressão Mundial

D)     Caráter democrático

 

5-Processo Histórico

Trata-se de um método de estudo que planeja e organiza a pesquisa histórica no tempo e no espaço mediante a uma demonstração compreensiva e explicativa do acontecimento histórico. O processo histórico pode ser demonstrado em gráficos, como no caso da linha do tempo.


Apesar do tempo histórico ser representado por uma reta, na realidade, a história se apresenta em ciclos. Estes ciclos se formam a partir de contradições humanas, que ora evolui com as diversas dimensões de criatividade, inclusão, diversidade, coletividade e participação ativa na História.

Para verificarmos se os sujeitos participam ativamente da História, observamos a ação coletiva na Economia, na Cultura, na Vida Social e Política. Na ação histórica, a ciclicidade é progressiva: Evolução, revolução, criatividade, conquistas de direitos, inclusão, participação, diversidades e transformação...


Por outro lado, quando num determinado contexto histórico, vivemos autoritarismos, violências, ideias de retorno ao passado, tal como a Ditadura Civil Militar no Brasil, o Nazismo e o Fascismo crescendo, identificamos que há uma reação a História, e sem criatividade, os povos que passam a repetir o passado, vivem o contexto histórico da Reação, um retorno a ideias do passado.

 


A Reação histórica possui ciclicidade regressiva: reação, autoritarismos, ditaduras, absolutismos, monarquias, imperialismos, colonialismos, violências de gênero, racial e social... 

Para fins de compreensão e explicação, a linha do tempo organiza o estudo da História, que em linhas gerais,  identifica os acontecimentos ao longo do tempo:

 

História do Brasil

 Primeiros Habitantes         Brasil Colonial                     Brasil Imperial                        Brasil Republicano

                                ...                    1534                                  1822                          1889                      1930    ...



 

        476 a.E.C.     1453                       1576                1789                       1870

 Idade Antiga                           Idade Média                        Idade Moderna                      Idade Contemporânea                     

História Geral

 

Cálculo da linha do tempo:

_476 0+1= século 1   Ano de 1453= 14+1= século XV    Ano de 1576  15+1=século XVI  Ano de 1789 17+1=século XVIII

Exemplo da  linha do tempo do ponto de vista dos Povos Indígenas Pataxó



Imagem presente na Exposição: “Nós, mulheres nas ciências e nas artes”. No Espaço Cultural Oi Futuro; 2025.

A partir da Linha do tempo  do item 2, descreva em qual período se situa a Idade Moderna e qual  o seu correspondente histórico no mesmo período da História do Brasil:

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 Descreva  abaixo dois momentos na História  que você lembre e que sejam revolucionários e dois que expressam a reação à História:

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