Fabíola Camargo (História)Caio Lopes (Sociologia)Tatiana Linhares (Sociologia)
Fabíola Camargo (História)Caio Lopes (Sociologia)Tatiana Linhares (Sociologia)
1) Contexto histórico
Contexto histórico se refere ao conjunto de condições, eventos, circunstâncias que cercam o acontecimento histórico, o que estava acontecendo ao mesmo tempo em que o fato histórico estava sendo estudado. O geógrafo Milton Santos deu uma definição de contexto histórico a partir da ideia de paisagem, se referindo as relações entre os seres humanos e a natureza num mesmo espaço e também ao mesmo tempo.
Fizemos uma roda com a brincadeira "Fui ao
mercado e comprei..." Cada um/a trouxe uma ideia de produto do mercado e
nos vimos num mesmo lugar num mesmo tempo. Este lugar, o mercado foi o
contexto, a paisagem que criamos ao visualizar os diversos produtos de um mesmo
momento e assim compreendemos melhor o que significa contexto histórico.
2) As Fontes Históricas:
As Fontes Históricas Se referem aos estudos das
ações Humanas ao longo do tempo. Todos os objetos são
fontes de estudos. Para uma leitura dos objetos numa perspectiva da História,
estes estudos nos ajudam a conhecer os caminhos que a Humanidade percorreu no
passado para que no presente não precisemos errar novamente ou que
tenhamos exemplos de como foi vivido para acertarmos em
nossa caminhada no presente.
Esta forma de observar os objetos e lugares é que
denominamos Fontes Históricas.
Tipos
de Fontes Históricas:
BARROS, J.A." Fontes Históricas: Introdução aos seus usos historiográficos. Petrópolis, RJ.Ed. Vozes, 2019.
Fóssil de Luzia-
Museu Nacional
“Os principais achados da
pesquisa da Science, que
sequenciou 15 genomas antigos extraídos de ossos encontrados desde o Alasca até
a Patagônia, são evidências genéticas de que os primeiros ocupantes humanos da
América se dispersaram rapidamente pelo continente e se diversificaram cedo,
conforme migravam para o sul. O resultado desta expansão teria sido uma
multiplicidade de migrações independentes e geograficamente desiguais”
https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/dna-antigo-conta-nova-historia-sobre-o-povo-de-luzia/
Lembre-se de um objeto importante para você. Qual é o objeto? Qual a
importância deste objeto em sua Vida? Como este objeto chegou em suas mãos? Há
quanto tempo este objeto faz parte da sua vida?
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A partir do quadro sobre os tipos de fontes
históricas, destaque duas fontes de natureza material, duas fontes imateriais e
quatro fontes de conteúdo:
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3)Memória:
Lembrança ou esquecimento importante na História falada, sentida ou escrita
pelos sujeitos históricos, grupos ou classes sociais no passado ou no tempo
presente.
Criado em 03/04/2026.https://chatgpt.com/s/m_69c1e8db8e108191898d980f3fb9564f
Como exemplo de Memória, fizemos uma
roda com o jogo “telefone sem fio”. Com este jogo, identificamos o quanto
precisamos do grupo para lembrar e que toda a memória, mesmo individual, é
construída coletivamente.
4)Lugares de
Memória: A foto ao lado do jogo trata da nossa visita ao Museu Oi Futuros e
que é um lugar de Memória no qual resguarda algumas fontes históricas e a memória
da telecomunicação no Brasil. Outros exemplos são os arquivos bibliotecas,
espaços culturais, bairros, ruas, indivíduos, instituições e etc... “O espaço é
acumulação desigual dos tempos.” Esta frase de Milton Santos, nos fornece uma
chave de interpretação importante, ao identificar as ruas. Cada lugar, prédio
ou asfalto, pertence a um determinado contexto/período, que traz a marca do tempo no qual foi construído.
QQUESTÃO/UERJ 2011:
O
Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravizados das Américas,
recebeu em 2017o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. A
distinção define o Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro,
como um “lugar de memória”, ao lado de outros, como o campo de concentração de
Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão. Inaugurado em 1811,
o cais logo se converteu no principal ponto de desembarque de africanos escravizados
das três Américas. Localizado a poucos passos do Palácio Real, não era raro aos
monarcas brasileiros ver os africanos, apressadamente desembarcados, sendo
separados de suas famílias, limpos, vestidos, pesados, tendo seus corpos
marcados a ferro. Começava, então, uma nova viagem. Dessa vez, rumo à tentativa
de desterritorialização e de invisibilização dos africanos, de quem se
procurava apagar a memória, qualquer laivo de identidade e orgulho que
carregavam de suas nações. Vários viajantes passaram pelo Valongo e constataram
o triste espetáculo que se apresentava naquele mercado, dentre eles o artista
Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Em
1911, o Cais do Valongo foi aterrado, da mesma maneira como se tentou esconder
e esquecer “os males e as lembranças dos tempos da escravidão”.
Esse
era o discurso civilizatório da Primeira República, que procurava jogar para o
Império a conta da escravidão, cuja culpa é de todos nós.
“Redescoberto” 100 anos depois, o Cais do Valongo é hoje um sítio arqueológico
que expõe na nossa atualidade as perversões do sistema escravocrata, mas também
testemunha a resistência dessas populações. Trata-se do mais importante acervo
de vestígios materiais e simbólicos localizado fora da África, com quase 500
mil itens.
A
expressão “lugar de memória” foi criada pelo historiador francês Pierre Nora.
Seu objetivo era justamente evitar o desaparecimento dos registros históricos,
como arquivos, monumentos, museus e certos espaços específicos. Podem ser desde
objetos materiais e concretos até vestígios imateriais e orais. O importante,
porém, é que eles só se convertem, efetivamente, em “lugares de memória”, se a
imaginação coletiva investi-los como lugares simbólicos.
Conforme define Alberto da Costa e Silva: “O Brasil é um país extraordinariamente
africanizado. E só a quem não conhece a África pode escapar o quanto há de
africano nos gestos, nas maneiras de ser e de viver e no sentimento estético do
brasileiro. Por sua vez, em toda a costa atlântica da África, podem-se
facilmente reconhecer os brasileirismos. O escravo ficou dentro de nós,
qualquer que seja nossa origem.”
LILIA
MORITZ SCHWARCZ
Adaptado de nexojornal.com.br, 31/07/2017.
um
“lugar de memória”, ao lado de outros, como o campo de concentração de
Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão. (l. 3-4)
A
comparação acima inclui o Cais do Valongo no conjunto de lugares de memória
pelo reconhecimento do seguinte atributo comum:
A) Valor utópico
B) Natureza subjetiva
C) Expressão Mundial
D) Caráter democrático
5-Processo Histórico
Trata-se de um método de estudo que planeja e organiza a pesquisa histórica no tempo e no espaço mediante a uma demonstração compreensiva e explicativa do acontecimento histórico. O processo histórico pode ser demonstrado em gráficos, como no caso da linha do tempo.
Para verificarmos se os sujeitos participam ativamente da
História, observamos a ação coletiva na Economia,
na Cultura, na Vida Social e Política. Na ação histórica, a ciclicidade é progressiva:
Evolução, revolução, criatividade, conquistas de direitos, inclusão,
participação, diversidades e transformação...
Por outro lado, quando num determinado contexto histórico, vivemos
autoritarismos, violências, ideias de retorno ao passado, tal como a Ditadura
Civil Militar no Brasil, o Nazismo e o Fascismo crescendo, identificamos que há
uma reação a História, e sem criatividade, os povos que passam a repetir o
passado, vivem o contexto histórico da Reação,
um retorno a ideias do passado.
A Reação
histórica possui ciclicidade regressiva: reação, autoritarismos, ditaduras,
absolutismos, monarquias, imperialismos, colonialismos, violências de gênero, racial
e social...
Para fins de compreensão e explicação, a linha do tempo organiza o estudo da
História, que em linhas gerais,
identifica os acontecimentos ao longo do tempo:
História do Brasil
Primeiros
Habitantes Brasil Colonial Brasil Imperial Brasil Republicano
... 1534 1822 1889
1930
...
476 a.E.C.
1453 1576 1789 1870
Idade Antiga Idade Média Idade Moderna Idade Contemporânea
História Geral
Cálculo da linha do
tempo:
_476 0+1= século 1
Ano de 1453= 14+1= século XV Ano de 1576
15+1=século XVI
Ano de 1789 17+1=século XVIII
Exemplo da linha do tempo do ponto de vista dos Povos
Indígenas Pataxó
Imagem presente na Exposição: “Nós, mulheres nas ciências e
nas artes”. No Espaço Cultural Oi Futuro; 2025.
A partir da Linha do tempo do item 2, descreva em qual período se situa
a Idade Moderna e qual o seu
correspondente histórico no mesmo período da História do Brasil:
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Descreva
abaixo dois momentos na História
que você lembre e que sejam revolucionários e dois que expressam a
reação à História:
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Trabalhos feitos a partir da Obra de Jarid Arraes. Leitura, seleção e escolha das/dos estudantes:
O Reino do Congo
Benin
Embora fosse composta majoritariamente pelo povo Edo, acreditava-se ser descendentes de Odudua, logo, devia tributos religiosos a Ifé. Fundada no século XIII, Benin era uma cidade-estado murada que se formou a partir da conurbação de diversos vilarejos próximos. A conurbação é a junção ou fusão de diversas cidades formando uma única área urbana ou região metropolitana. Embora as aldeias de Benin formassem uma unidade política maior, cada uma delas manteve sua estrutura social e seus chefes próprios, o que, com o passar do tempo, causou inúmeros conflitos entre as diferentes lideranças.
Mali
O povo Malinquê teve seu primeiro
imperador, Sundyata Keita, no século XIII. Seu pai, Naré Famagã, recebeu o
caçador com poderes divinatórios e disse que o rei teria um filho com uma
mulher muito feia e este filho seria muito poderoso. Pouco tempo depois, o rei
se casou com um sologão, conhecido pela sua feiura. Desta união nasceu um
menino aleijado e incapaz de andar, e teve como nome Sundiata Keita. O menino e
a mãe eram frequentemente ridicularizados pela corte. Cansados de serem
ridicularizados, Sundiata apoiou-se numa barra de ferro e milagrosamente
começou a andar. Após a morte de Nare Famagam, seu pai, o filho primogênito,
Dankaran Tulman, subiu ao poder com sua mãe Sasoma Bateré e desrespeitou a
vontade do pai sobre a chegada de Sundiata ao poder.Sundiata e sua mãe foram
obrigadas a fugir por conta da perseguição do irmão. Sundiata, porém, chegou à
cidade de Mema, longe do reino dos Malinquês. Lá tem sua bravura e coragem
reconhecidos. Enquanto isso, no reino Malinquês, sofre ataques constantes do
reino Sosso, e por isso Dancaran Tuma foge e o povo Malinquês pediu ajuda a
Sundiata. O reino Sosso tinha Sou Maoro Kantê à frente de um exército poderoso
que fazia imune às armas de ferro. Sundiata saiu derrotado algumas vezes. Sua
irmã, Nana Triban, foi obrigada a casar com o rei Sosso, mas o rei Sosso era
vulnerável a galo branco e Sundiata sabia deste ponto fraco. Sundiata fez então
uma flecha com a espora de um galo branco e enfrentou o seu inimigo. Na batalha
denominada de Batalha de Quirina, em 1235, atingindo-o com uma flecha. Sundiata
foi então coroado e se tornou rei dos Malinquês, iniciando a Dinastia de Mansas
no Império Mali.O Rei Manza usava o ouro na cabeça, chamado de solidel, além de
colares e pulseiras de ouro. A nobreza de Mali era responsável pela
administração do império e o pagamento de impostos dos aldeões. O exército era
responsável pelas conquistas do império e chegou a ter 10 mil homens, dividido
entre cavalaria, arqueiros, dos quais a maioria era escravizado. Os não
escravizados tinham influência política no governo, sendo generais que usavam
espadas, capacetes, cotas de malhas e cavalos com produtos importados da Europa
e do norte da África. A escravidão em Mali era parecida com a de Roma, que, ao
invés de obrigar povos dominados a viverem de acordo com seus costumes, o Manza
preferia respeitar diferentes culturas que compunham o seu império, desde que
pagassem impostos. Assim, o império Mali era composto por dezenas de
cidades-estado, pequenos reinos e milhares de vilas e aldeias, o que garantia
estabilidade para o império. Mali também tinha homens livres que formavam
castas de ferreiros, carpinteiros e artistas, que trabalhavam com barro e
metais. A produção de ouro era feita com técnicas centenárias e estavam sob o
domínio do império Mali.
A maior parte da população era de
agricultores, pescadores e pastores que viviam no campo em pequenas casas de
barro com telhado de palha. Cultivavam o milete e o sogro. Além do arroz,
criavam bois, cabras, camelos e também pescavam, com os quais pagavam tributos
ao governo para pagamento da água, coleta de lixo, entre outras coisas. Haviam
escravizados também que trabalhavam a agricultura em Maliquê. Eram obtidos nas
guerras realizadas pelo exército, empregados nas fazendas do mansa. Quem se
tornava exímio guerreiro e jurasse fidelidade ao império era realocado no
exército de Mali. O ouro foi a maior riqueza de Mali. O mansa controlava as
minas de ouro e as redes de comércio que levavam o ouro até o deserto de Saara,
onde era levado para o norte da África e de lá para a Europa e Oriente Médio.
Essa mesma rede voltava com sal, contas de vidro, tecidos e alimentos que os
mais ricos consumiam. O sal era para os camponeses também, no preparo e
conserva dos alimentos, além do tingimento dos tecidos. Os povos das aldeias
trocavam milhete e arroz por peixe seco produzido no litoral. A partir do
século XIII, as relações comerciais com o norte da África aumentaram. Sundiata
Keita seria ou não islamizado. A tradição oral aponta que ele era um rei mágico
que usava forças da natureza e dos antepassados para governar. O sucessor de
Sundiata, o Mansa Uli, já professava a fé muçulmana e fez peregrinação à Meca
no século XIII.
Mansa Uli passou a controlar as
cidades de Gaô, Oualata, Tombucto e Dijanê, ampliando o comércio. Mas Mansa
Musa foi o mais conhecido imperador islamizado do Mali, saindo de Mali com 70
mil servos e quase duas toneladas de ovo e distribuiu no Egito, levando o luxo
que encontrou e desvalorizando seu ouro. Terminou sua peregrinação com o empréstimo
do Cairo. Com o Egito, ampliou compra e venda de escravos. Com o Reino, fez,
que é o atual Marrocos, ampliou relações diplomáticas, enviando ulemães, que
eram sábios religiosos, juristas, professores, segundo o Alcorão, e Mansa Musa
trouxe o arquiteto do Egito para construir mesquitas no Mali. Corrija. Mansa
Musa trouxe arquiteto do Cairo para construir mesquitas no Mali, além de
roupas, turbantes, cultura e educação árabe das universidades. Mesmo assim, a
maioria da população do Mali continuou cultivando aos seus antepassados e seus
deuses e entidades divinas. Continuaram a vestir couro e algodão bruto. Os
diulas, feiticeiros que eram respeitados por curar doenças, resolver crimes e
problemas jurídicos, o Mansa Musa respeitou, realizando julgamentos de acordo
com a crença da pessoa em questão, respeitando os diferentes credos. A expansão
territorial de Mali trouxe problemas aos sucessores de Mansa para o controle
das fronteiras do Império. Já no fim do século XIV, as cidades de Gaô e de Genê
ficaram independentes de Mali. Houve também saques em Tombuctu. No século XV,
os antigos territórios controlados pelo Mali deixaram de obedecer aos mansas
até os últimos anos do século XVI.
Ouça o texto também no spotify:
Fontes:
SANTOS, Ynaê Lopes Do. História da África e do Brasil Afrodescendente. Faperj, Ed Pallas, 2017.
MUNANGA, Kabengele e GOMES, Nilma Lino. Para entender o negro no Brasil de hoje: História, Realidades, Problemas e Caminhos. Ed. Ação Educativa, 2006.
LOPES, Nei. História e Cultura Africana e Afro- Brasileira. Ed. Barsa Planeta, 2008.
https://www.megacurioso.com.br/educacao/122625-sundiata-keita-o-heroico-rei-leao-que-fundou-o-imperio-mali.htm
https://suburbanodigital.blogspot.com
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_do_Congo