domingo, 20 de março de 2011

Império no Brasil

A intenção deste texto foi sintetizar ao máximo as nossas primeiras semanas de aulas, quando demos início ao estudo do processo histórico de construção do Estado no Brasil. Vimos que esta construção foi possível a partir da Vinda da Família Real portuguesa para o Brasil.

No entanto, esta chegada não aconteceu num passe de mágica. Vimos em nossas aulas que o principal acontecimento no plano internacional que fez a família real fugir para o Brasil foi o Bloqueio Continental.

O Bloqueio Continental partiu das guerras de Napoleão Bonaparte. Ao golpear a Revolução Francesa, impediu que os países do continente europeu fizessem comércio com a Inglaterra, que também havia feito uma Revolução industrial. Havia uma competição capitalista mundial para domínio econômico e político de outros territórios.

Dessa forma, Napoleão tomou a decisão de invadir Portugal. Ao invadir Portugal, a família Real, então, fugiu para sua principal e mais rica colônia: o Brasil. No entanto, a família real fugiu protegida pela esquadra inglesa. Por isso, a Inglaterra passou a ter facilidades na exploração do território brasileiro, desta vez sob governo de um rei português em terras brasileiras.

Alguns historiadores apontam que este foi um momento em que o Brasil deixou de ser colônia. No entanto, se observarmos mais atentamente, a cobrança de tarifas sobre os produtos que saíam do Brasil foi diminuído em 15% para os ingleses, facilitando, a exportação de nossas matérias primas por um preço baixo e desvantajoso para o Brasil. Isso só foi possível porque foram os Reis portugueses que tomaram esta decisão no Brasil.

Outro acontecimento importante no que diz respeito à questão social neste momento é que houve um aumento significativo de negros escravizados. Isto aconteceu porque a família real, composta de 15 mil nobres que não trabalhavam, achavam que outros deveriam trabalhar para eles. Eles se consideravam superiores. Daí o tráfico de escravos aumentou, e o número de negros passando pelo centro da cidade cresceu. Por isso, os brancos, portugueses e grandes proprietários se assustaram. Era o medo que os negros tomassem a liberdade por suas próprias mãos.

Essa idéia não deixou de existir neste período, pois o Haiti havia feito em 1791, a maior Revolução negra da História. Os negros escravizados no Brasil, também queriam liberdade. Houve diversas rebeliões negras no Brasil. Os negros do Brasil queriam ter direito a liberdade de cantar, casar, de não serem torturados, enfim ter direitos como todos os outros e principalmente se tornarem livres do trabalho escravo.

No Brasil, além das rebeliões dos negros, alguns membros das classes dominantes também pensavam sobre esta questão. Vejamos como aconteceu:

Quando D. João VI voltou para Portugal, depois que as burguesias se reuniram por lá e escreveram uma constituição, decidindo que o rei D.João deveria voltar, respeitar a nova constituição feita pelas burguesias portuguesa e acabar com a independência do Brasil. As ordens deveriam ser dadas diretamente de Portugal, de acordo com os chamados “revolucionários do Porto”.

Por todas estas questões foram criados então dois partidos: o “Partido” Português e o “Partido” Brasileiro. Em função das rebeliões dos Negros, o partido português queria a recolonização do Brasil. Faziam parte deste partido, os comerciantes antigos, militares e funcionários públicos. Já o “Partido” Brasileiro torcia pela Independência. Alguns membros do “Partido” Brasileiro apoiavam inclusive a abolição. Alguns deles pensavam que poderiam aumentar os lucros se todos pudessem comprar, inclusive se concedessem liberdade aos negros, se os mesmos ganhassem a liberdade em troca de salários. A Inglaterra apoiava esta idéia, pois o comércio aumentaria e traria grandes lucros para a sua Indústria que produzia com capacidade para muitas vendas.

Por isso a idéia de liberdade para os negros não era a mesma dos ricos comerciantes. Nem mesmo a idéia de liberdade para os ingleses se tratava de uma liberdade parecida com a dos revolucionários franceses.Muito menos dos negros. Podemos perceber a partir deste texto e de nossas aulas, que cada classe social possui um ideal de liberdade: Umas justas, outras nem um pouco.
Fabíola Camargo.

Bibliografia consultada:

SCHIMIDT. Mario F.  " Nova História Crítica". Editora Nova Geração. 2005.
Mattos. Ilmar R.  O Tempo Saquarema. HUCITEC Editora,  5ª ed, 2005.

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