domingo, 8 de agosto de 2010

Introdução as "Candaces"



O Império Méroe era o centro de uma região de solo fértil, conhecida nas rotas comerciais e de reconhecida pela importância na exploração do ferro. Candaces era o termo genérico que se davam as grandes rainhas da Etiópia há 500 anos antes de Cristo, e que ficavam na frente das tropas de guerras, eram negras e principalmente, mulheres.

Este Império foi constituído em 500 a.C. como capital de toda a Etiópia., situada no sul do Egito. Era o centro da região. Bem localizada em relação às rotas comerciais e de reconhecida importância na exploração de ferro.

A amplidão das pirâmides, os sarcófagos de granito que chegavam a pesar 25 toneladas cada um, o templo do Sol considerado uma das maravilhas do mundo e o valor dos objetos reais escaparam à cobiça dos saqueadores. Este império viveu grandes séculos de grandeza e prosperidade. A marca da civilização egípcia é por candaces distinta por um estilo muito original. De acordo com o filósofo Ptolomeu, Os povos de Méroe eram profundamente negros na cor e etíopes puros. Os estudos mais recentes consideram a cultura merítica uma combinação homogênea de nativo (povo nascido na terra etíope) junto com povos migrados do mundo Greco-romano.

No início da Dinastia, o reinado era exercido por um rei escolhido entre seus “irmãos reais.”. No entanto, muitos atestam o poder da rainha-mãe na escolha do novo rei. Numerosos indícios mostram que elas ocupavam postos elevados e desempenhavam importantes funções no reino, subordinadas apenas ao próprio rei. Mais tarde, essa rainhas (mães ou esposas) passaram a se auto proclamar soberanas máximas de Méroe, assumindo todo o poder político do Império. Dessa forma, tem início a Dinastia Candaces( nome genérico da Rainha da Etiópe na antiguidade). Era um título comum a todas as rainhas do baixo império etiópico. Os gregos e romanos fizeram dele o nome próprio das rainhas com as quais estavam em relação política. Os romanos conheceram quatro dessas candaces: Shankdakete, Amanirenas, Amanishakete e amanitere.

A partir do estudo de uma parte do Egito podemos atestar a sua importância para conhecimento de uma parte do continente africano e que sob estilo próprio do Egito, se apresentou profundamente africana. É desta memória que iremos resgatar em parte o que somos hoje, após séculos de convivência com a exclusão e escravidão dos povos africanos no Brasil. Por outro lado, podemos observar que temos raízes nesses povos, e portanto podemos reavaliar e despertar para uma esperança maior do fim do racismo, da exclusão social e racial no Brasil e no Mundo. E que podemos fazer isto à luz do conhecimento de como somos um povo formado principalmente por guerreiras...

Adaptado de “Candaces”, espetáculo teatral de Marcio Meirelles e “Cia dos Comuns”, Rio de Janeiro, 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário