domingo, 13 de março de 2016
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terça-feira, 3 de novembro de 2015
PROJETO “CANDACES BRASILEIRAS” NA MOSTRA CULTURAL DO C.E. ERNESTO DE FARIA
Objetivo geral
Este projeto faz parte do processo de construção do
conhecimento dos estudantes do C.E. Ernesto de Faria sobre Africanidades. Conduzido
pelas professoras Fabíola e Virgínia, construímos saberes junto aos estudantes
sobre a História e Cultura Africana e indígena na escola a partir dos
pressupostos da Lei 11.645/2008, ou como propõe o BNCC – Base Nacional Comum
Curricular e os PCN’s- Parâmetro Curricular Nacional.
Objetivo específico/Justificativa:
A História dos afrodescendentes e indígenas inseridos no
processo histórico de expansão marítima deve permitir aos educandos formas
transdisciplinares de compreensão e
explicação desta modernidade, tal como a crítica, no que concerne a História
eurocêntrica inserida no currículo, na escola e na sociedade. Foi neste período
que se iniciou a produção de teorias de
branqueamento e guerras coloniais com a diáspora
afro e a exclusão das populações afrodescendentes e indígenas a partir
da escravidão. Apesar das lutas e conquistas num período de longa duração[1], apenas
na contemporaneidade passou a ser questionada com mais ênfase no currículo escolar, com a consecução da Lei
11.645.
Hipóteses
Buscamos, neste projeto/processo, resgatar identidades, nas
quais, a História afrodescendente,
possui sentido na singularidade, no encontro transdisciplinar, envolvendo e
promovendo interações e integração com histórias
diversas dos estudantes e suas diversas
manifestações culturais.
Trabalhamos ainda com a hipótese do encontro da História com
seu sujeito, enlaçamos a construção do saber à construção do fazer ao unir as
áreas de conhecimento de História e Artes.
Por isso, num primeiro momento, trabalhamos a História da
África junto a Historia dos turbantes, unindo o uso corrente dos turbantes (a
moda) aos seus significados(
históricos).
A Oficina de
Turbantes será nossa primeira culminância, quando os estudantes
farão seus turbantes e cartazes relacionando-os aos processos de
construção deste conhecimento em sala de
aula. Junto à oficina de turbantes, faremos
pesquisa e confecção de cartazes com frases sobre as “
Candaces Brasileiras”
Programação/calendário das atividades -2015
04/11 Aula conjunta História da Arte e da África na
Modernidade e combinados sobre material
11/11 1ª Culminância com a confecção de turbantes e cartazes
em sala
18/11 2ª Culminância: Encontro com o Historiador e Artista
plástico, Jerônimo Motta
Desfile, construção de mural
A primeira oficina se realizará no dia 11/11 a partir das
18:30 no encontro transdisciplinar e
junção das turmas que já tem sido parte deste processo/projeto.
A segunda culminância
será dia 18/11 num encontro com Jerônimo Motta que fará uma oficina de História
e arte com um mural na escola e música( como elucidado no calendário
proposto). Em seguida, faremos uma
mostra dos estudantes com seus respectivos turbantes e frases sobre as Candaces brasileiras.
OBS.: Estas culminâncias serão parte da AV4.
Para que possamos dar integridade ao projeto, contamos com a
parceria entre as professoras, a coordenação pedagógica e a direção.
Material
Segue material e espaço para consecução do projeto.
Tinta plástica (vermelha, verde, preta, amarela)
Tecidos para espaço e
confecção de turbantes
Um espaço (parede) que possa ser confeccionado uma expressão
artística de um mural conduzido pelas professoras e pelo artista plástico junto
aos estudantes
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Sobre algumas nações africanas às vésperas da expansão marítima europeia
As diversas nações
africanas viveram uma profunda militarização neste período e guerreavam entre
si. As riquezas eram muitas, as guerras atravessaram a expansão europeia e
chegaram ao Continente africano. Antes mesmo da chegada dos europeus, algumas
nações já vendiam prisioneiros de guerra para trabalhar como escravos em outras
nações africanas, principalmente as mais próximas do norte da África, em sua
maioria islamizadas. No entanto, foi com a experiência de troca com Portugal
sob o Reinado de D, Manuel I, que o rei do Congo, Manicongo Nzinga Kuvu optou
por cristianizar-se por volta do século XIII. Esta foi uma tentativa de relação
entre iguais, ainda no continente africano no período em estudo.
No entanto, as
experiências são diversas. Alguns exemplos de como as nações se comportaram no
processo de chegada dos europeus no continente africano, destacamos o Império
de Gana, conhecido como país do ouro, que se estendia pelas nas regiões de
Shael, entre o Senegal médio e a curvatura do Níger. A partir do século VIII, o
ouro era encontrado em abundância neste império.
Para governar, o rei
era assistido pelos altos dignitários com os quais se reunia cada manhã para
escutar queixas de seus súditos e exercer justiça. Com tanta riqueza, o rei
possuía um exército numeroso, composto de infantaria, arqueiros e cavalaria.
Desde o século IX, Gana manteve um comércio transaariano com mercadores árabes,
berberes, e sudaneses que buscavam ouro em troca de tecidos, sal e outros
produtos Maghreb. Por volta de 1077, os almorávidas, uma dinastia berbere das
costas atlânticas da África, conquistaram Kumbi-Saleh, Capital de Gana, deixando o
reino sobreviver apenas como tributário, despido de esplendor como antes, e com
territórios reduzidos. Após a dissolução do reino de Gana, as antigas províncias
se transformaram em pequenos estados dirigidos por pequenos reis, antigos
governadores. A expansão almorávida foi acompanhada pela conversão de muitos
reis ganeses, movidos pela estratégia político-econômica de integrarem-se no
espaço mercantil islâmico.
Outro exemplo foi a
civilização ioruba, onde dezenas de cidades conviviam, e onde desenvolveu-se a partir do século XI no sudoeste da atual Nigéria, das quais
muitas ultrapassaram os 20 mil habitantes. Constituíam grandes centros de
artesanato com oleiros, tecelões, marceneiros, ferreiros entre outras
atividades. Paralela as atividades
artísticas , praticava-se atividades agrícolas, baseadas no plantio de
inhame, palmeira entre outras.
Segundo o mito de
origem, o povo ioruba é descendente do rei Oduduwa, que desceu dos céus sobre o
mar, tendo nas mãos uma cabeça cheia de areia e uma galinha. Despejou então a
areia sobre o mar, posando nela a galinha. Esta esgaravatou e espalhou toda a
areia, dando origem à terra do povo ioruba, de quem se tornou o primeiro
soberano.
A cidade de Ifé foi
o centro da civilização ioruba e sede da residência do chefe religioso, Oni. As
outras cidades nascidas dos filhos de Oduduwa tinham por chefe, Oba, personagem
sagrada que usava uma coifa real formada
por uma calota de tecido com fios de pérola que não deixavam ver o rosto. Do
século XI ao XV usava-se bronze baseada na metalurgia, de acordo com uma pesquisa
arqueológica de 1938, citada pelo autor Kabenguele Munanga. Foi em Ifé que se
encontrou bustos de reis entre outras peças que remontam esta parte da civilização ioruba.
Não havia unidade
política entre os iorubas, que se organizavam de forma independente, apesar
de possuírem unidade cultural,
linguística, religiosa, histórica e territorial, que segundo alguns autores,
teria facilitado o seu declínio a partir do século XV. Porém Oio, nos séculos
XVII e XVIII, tornou-se o mais poderoso dos reinos iorubas, graças a
organização militar apoiada numa unidade de arqueiros apeados e numa cavalaria
armada com lanças e espadas. Este reino findou-se no início do século XIX, sob
jugo dos Peules muçulmanos.
A religião, a
cultura e a História dos povos ioruba não chegou ao fim mesmo com a violência dos
europeu com as armas de fogo neste
período, pois resguardaram-se com a a própria religião, a escrita, a oralidade,
objetos de estudos arqueológicos e estudos científicos diversos. Os europeus guerreavam
contra as principais nações africanas com o objetivo de eliminar o islã entre
as diversas nações africanas e no mundo, e principalmente para acumular riqueza
de forma mercantil. Por isso, guerreavam em favor da implantação da “Cruz e da
Espada”, ação militar cristã-europeia, com o fim de subjugar os povos do mundo
a partir da experiência das Cruzadas, com o objetivo maior de garantir o monopólio da fé e do comércio
marítimo para acumular Capital, o que levou a colonização das diversas nações
do Atlântico.
Adaptado de MUNANGA, Kabenguele& GOMES, Nilma, L. “Para
entender o Negro no Brasil de hoje: História, realidades, problemas e
caminhos.” São Paulo: Global: Ação educativa: Assessoria, Pesquisa e
informação, 2006, 2ª edição revista e atualizada(Coleção Viver, Aprender)
sábado, 7 de março de 2015
Filosofia: Uma abordagem Íntima e Universal?
Nos remetemos a definição de Filosofia, da forma mais simples para a mais complexa: Amor à Sabedoria. O aprofundamento do conhecimento para nós, é a questão mais importante para o estudo da Filosofia. Para isso, precisamos enxergar a realidade para além do que a grande mídia e os sucessivos governos liberais nos relega: a superficialidade do saber e ainda conceber a vida pela aparência e não pela essencia das coisas, das pessoas e do mundo.
Por isso quando definimos a Filosofia como "Amor à sabedoria" nos remetemos primeiramente ao "Amor, como um sentimento fundamental para a Filosofia, pois nos referimos a sensibilidade mais profunda do Ser Humano. O Amor está presente em todos os Seres e todos os Seres Humanos nascem de uma relação de Amor. Se ainda, este sentimento não se universaliza aqui, se faz presente na busca pela realização do sentimento amoroso. Aqui concebemos o Amor num plano universal, que identificamos, ora no amor entre os Seres Humanos, entre o Ser e os animais, entre o Ser e a música e para nós entre o Ser e o Saber.
Quanto a relação do amor ao saber, nos referimos a busca do ser humano pela concretização do sentimento do amor. É preciso que o Ser explique-se para o outro ou para concretizar o saber ; esta explicação acontece com o encontro do Ser como uma forma de Saber para além de um saber longe do Ser, pois se daria com a explicação do próprio Ser diante do Saber, o que definimos aqui como Sabedoria.
Por isso essa explicação do Ser Humano é sempre singular, vem de cada Ser, e não se refere ao Saber descolado do Ser, por mais que o saber em si possa ser o mesmo para todos, cada um concebe, explica de uma forma, que se relaciona com a vivência de cada um, com a sua cultura familiar, social e histórica diante do mundo, enfim, explica-se.
Por isso temos na busca do conhecimento, fases diferenciadas da aprendizagem: Num primeiro momento temos um contato com o saber, em seguida podemos nos aproximar com o entendimento sobre o saber ora concebido, mas é com a compreensão que temos uma convivência com o saber, quando lembramos depois, fazemos relação com algo que vivemos ou aprendemos e não esquecemos. Já a explicação é que remonta o sentimento do Ser e sua Singularidade. Nunca , porém explicamos algo, mas nos explicamos. Isto se dá em função da Singularidade do Ser e por isso um explicar-se; uma explicação diferenciada de cada Ser, diferenciada e diversa como vimos. Mas para explicar-se, aliamos esta experiência diferenciada de cada Ser , com a sua forma de sentir, pensar e agir, que alia a forma de como este ser explica-se, pois traz em si um jeito diferenciado, uma dimensão mais profunda, é neste momento que sobressai em cada um de nós uma Sabedoria, e, de forma individual, diferente e diversa de qualquer outra.
Por isso que a Filosofia se apresenta como definição profunda e urgente de cada Ser Humano: Quando sai da superficialidade, perpassa o sentimento e sai numa busca profunda de cada Saber, e que se manifesta de dentro para fora, quando a Sabedoria se faz presente.
Em tempos de superficialidade midiática e de saberes desencontrados dos Seres, a pulsação crítica de cada Ser Humano alia-se a necessidade de con-viver entre os Seres e propõe outra forma de convívio humano.
Filosofia: Uma emergência nos dias atuais?
Entre 2014 e 2015 a grande mídia resolveu questionar a avaliação do ENEM, tendo em vista, num primeiro momento, os resultados obtidos nas notas de Português e Redação. As respectivas notas eram demasiadamente díspares, pois colocava em questão o estudo da gramática e sua aplicabilidade à redação. Os resultados indicaram que, os excelentes resultados em Língua Portuguesa foram muito maiores que a Redação, que por sua vez tiveram notas muito baixas, numa proporção que ultrapassou os 50 por cento de diferença.
Atualmente, além dos professores dos diversos níveis apontarem este problema, desde a luta pela construção por Diretrizes e bases de uma educação nacional desde a década de 1980, este problema já estava em pauta.
No entanto, as notas do ENEM tomaram a mídia em função dos interesses da grande burguesia em acabar com tal avaliação, já que a mesma contribui minimamente para democratizar à educação para as classes menos favorecidas.
Sem esquecer da discussão mais ampla do intuito da grande mídia e os interesses quanto à privatização da educação e tendo em vista a dimensão política deste debate, educadores de todo o país apontam em pesquisas, teses, dissertações e congressos há mais de vinte anos, a questão do aprofundamento dos temas de redação, que passam necessariamente pela prioridade do aprofundamento sociológico e filosófico ancorado nas demais disciplinas das Ciências Humanas, como a História, a Geografia, a Lingua Portuguesa e a Redação.
Na década de 1980 quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi motivo de muito debate, muita luta, cerca de 118 greves foram feitas no final da década de 1970 e início de 1980 e, aliando à luta pela inclusão pelas maiorias das classes menos favorecidas nos bancos escolares, este número de greves passou a somar mais de 2 mil greves no final dos anos 1990 (NORONHA, 1991:95). Esta foi parte de uma luta que se somava, inclusive, à luta pela democratização da educação, com professores e estudantes à frente das lutas e debates que levaram à implantação da LDB, pautada pelos próprios professores, mas que no entanto, só em 1996 a lei foi implementada pelo governo Fernando Henrique. Mesmo assim depois que retirou-se a pauta das mãos dos professores e passou-a para as mãos do Sociólogo Darcy Ribeiro, que fez a redação da lei para o governo.
A Sociologia e a Filosofia foram retiradas por mais de vinte anos pelos sucessivos governos da Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 -1985) do currículo escolar, com a Lei 5.692 posta em prática em 1971.
Na luta pela implementação da LDB - a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, apontavam a demanda da redemocratização do país visando a necessidade de aprofundamento das Ciências Humanas, com a reinserção do estudo da Sociologia e da Filosofia junto a inclusão das maiorias das classes excluídas na escola pública, que até o fim da Ditadura Militar em 1985 era privilégio das elites.
Embora a polêmica não pare por aí, foi retirado novamente em 2014 do currículo do Ensino Médio, metade dos tempos de Sociologia e metade dos tempos de Filosofia, ficando o debate, na esfera institucional( do governo) e com diversos professores abandonando as escolas, chegando a mais de 100 (cem) professores por dia no Estado do Rio de Janeiro,de acordo com pesquisa feita em fevereiro de 2015 no Diário Oficial pelo blog observações educacionais.
A justa luta pela reinserção da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio nos faz pensar o porquê da insistência em retirá-las da grade curricular...com a máxima: Pensar é perigoso? Por qual motivo?
Para nós, o aprofundamento de questões como estas não se deve restringir somente ao professor, já que o interesse pela educação provém também do estudante e pela qualidade na educação para que possam continuar estudando, se insiram no mercado do trabalho, e sobretudo passem a ver seus direitos respeitados e por isso saibam os caminhos de conquistá-los.
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