sábado, 7 de março de 2015

Filosofia: Uma emergência nos dias atuais?

Entre 2014 e 2015  a grande mídia resolveu questionar  a avaliação do ENEM, tendo em vista, num primeiro momento, os resultados obtidos nas notas de Português e Redação. As respectivas notas eram demasiadamente díspares, pois  colocava em questão o estudo da gramática e sua aplicabilidade à redação. Os  resultados indicaram que, os excelentes resultados em Língua  Portuguesa foram muito maiores  que a Redação, que por sua vez tiveram notas muito baixas, numa proporção que ultrapassou  os 50 por cento de diferença.
Atualmente, além dos  professores dos diversos níveis  apontarem este problema,   desde  a luta pela construção por Diretrizes  e bases de uma educação nacional desde a década de 1980, este problema já estava em pauta. 
No entanto, as notas do ENEM tomaram a mídia em função dos interesses da grande burguesia em acabar com tal avaliação, já que a mesma contribui minimamente para democratizar  à educação para as classes menos favorecidas.
Sem esquecer da discussão mais ampla do intuito  da grande mídia e os interesses quanto à privatização da educação e tendo em vista  a dimensão política deste debate,  educadores de todo o país apontam  em pesquisas, teses, dissertações e congressos há mais de vinte anos,  a questão do aprofundamento dos temas  de redação, que passam necessariamente  pela prioridade  do aprofundamento sociológico e filosófico ancorado  nas demais disciplinas  das Ciências Humanas, como a História, a Geografia, a Lingua Portuguesa e a Redação.
Na década  de 1980 quando  a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação foi motivo de muito debate, muita luta,  cerca de  118 greves foram feitas no final da década de 1970 e início de 1980 e,  aliando à luta pela inclusão pelas maiorias das classes menos favorecidas nos bancos escolares, este número de greves passou a somar mais de 2 mil greves no final dos anos 1990 (NORONHA, 1991:95). Esta foi parte de uma luta  que se somava, inclusive,  à luta pela democratização da educação, com  professores e estudantes à frente das lutas e debates que levaram à  implantação da LDB, pautada  pelos próprios professores, mas que  no entanto,  só em 1996  a lei foi implementada pelo governo  Fernando Henrique. Mesmo assim depois que retirou-se  a pauta das mãos dos professores  e passou-a  para as mãos do Sociólogo Darcy Ribeiro, que fez a redação da lei para o governo.
  A Sociologia e a Filosofia foram retiradas por mais de vinte anos pelos sucessivos governos da Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 -1985) do currículo escolar,   com a Lei 5.692 posta em prática  em  1971.
Na luta pela implementação da LDB - a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação Nacional, apontavam a demanda da redemocratização do país  visando a necessidade  de   aprofundamento das Ciências Humanas, com a  reinserção do estudo da Sociologia  e da Filosofia junto a inclusão das maiorias  das classes excluídas na escola pública, que até o fim da Ditadura Militar em 1985 era privilégio das elites.
Embora a polêmica não pare por aí, foi retirado novamente  em 2014  do currículo do Ensino Médio, metade dos tempos de Sociologia e metade dos tempos de  Filosofia, ficando o debate, na esfera institucional( do governo) e com diversos professores abandonando as escolas, chegando   a mais  de 100 (cem) professores por dia no Estado do Rio de Janeiro,de acordo com  pesquisa feita em fevereiro de 2015 no Diário Oficial pelo blog observações educacionais.
A justa luta pela reinserção da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio nos faz pensar o porquê  da insistência em retirá-las da grade  curricular...com a máxima: Pensar é perigoso? Por qual motivo? 
Para nós, o aprofundamento de questões como estas não se deve restringir somente ao professor, já que o interesse pela educação provém também  do estudante e pela qualidade na educação para que possam continuar estudando, se insiram no mercado do trabalho,  e  sobretudo passem a ver seus direitos respeitados e por isso  saibam os caminhos de conquistá-los.

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