Entre 2014 e 2015 a grande mídia resolveu questionar a avaliação do ENEM, tendo em vista, num primeiro momento, os resultados obtidos nas notas de Português e Redação. As respectivas notas eram demasiadamente díspares, pois colocava em questão o estudo da gramática e sua aplicabilidade à redação. Os resultados indicaram que, os excelentes resultados em Língua Portuguesa foram muito maiores que a Redação, que por sua vez tiveram notas muito baixas, numa proporção que ultrapassou os 50 por cento de diferença.
Atualmente, além dos professores dos diversos níveis apontarem este problema, desde a luta pela construção por Diretrizes e bases de uma educação nacional desde a década de 1980, este problema já estava em pauta.
No entanto, as notas do ENEM tomaram a mídia em função dos interesses da grande burguesia em acabar com tal avaliação, já que a mesma contribui minimamente para democratizar à educação para as classes menos favorecidas.
Sem esquecer da discussão mais ampla do intuito da grande mídia e os interesses quanto à privatização da educação e tendo em vista a dimensão política deste debate, educadores de todo o país apontam em pesquisas, teses, dissertações e congressos há mais de vinte anos, a questão do aprofundamento dos temas de redação, que passam necessariamente pela prioridade do aprofundamento sociológico e filosófico ancorado nas demais disciplinas das Ciências Humanas, como a História, a Geografia, a Lingua Portuguesa e a Redação.
Na década de 1980 quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi motivo de muito debate, muita luta, cerca de 118 greves foram feitas no final da década de 1970 e início de 1980 e, aliando à luta pela inclusão pelas maiorias das classes menos favorecidas nos bancos escolares, este número de greves passou a somar mais de 2 mil greves no final dos anos 1990 (NORONHA, 1991:95). Esta foi parte de uma luta que se somava, inclusive, à luta pela democratização da educação, com professores e estudantes à frente das lutas e debates que levaram à implantação da LDB, pautada pelos próprios professores, mas que no entanto, só em 1996 a lei foi implementada pelo governo Fernando Henrique. Mesmo assim depois que retirou-se a pauta das mãos dos professores e passou-a para as mãos do Sociólogo Darcy Ribeiro, que fez a redação da lei para o governo.
A Sociologia e a Filosofia foram retiradas por mais de vinte anos pelos sucessivos governos da Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 -1985) do currículo escolar, com a Lei 5.692 posta em prática em 1971.
Na luta pela implementação da LDB - a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, apontavam a demanda da redemocratização do país visando a necessidade de aprofundamento das Ciências Humanas, com a reinserção do estudo da Sociologia e da Filosofia junto a inclusão das maiorias das classes excluídas na escola pública, que até o fim da Ditadura Militar em 1985 era privilégio das elites.
Embora a polêmica não pare por aí, foi retirado novamente em 2014 do currículo do Ensino Médio, metade dos tempos de Sociologia e metade dos tempos de Filosofia, ficando o debate, na esfera institucional( do governo) e com diversos professores abandonando as escolas, chegando a mais de 100 (cem) professores por dia no Estado do Rio de Janeiro,de acordo com pesquisa feita em fevereiro de 2015 no Diário Oficial pelo blog observações educacionais.
A justa luta pela reinserção da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio nos faz pensar o porquê da insistência em retirá-las da grade curricular...com a máxima: Pensar é perigoso? Por qual motivo?
Para nós, o aprofundamento de questões como estas não se deve restringir somente ao professor, já que o interesse pela educação provém também do estudante e pela qualidade na educação para que possam continuar estudando, se insiram no mercado do trabalho, e sobretudo passem a ver seus direitos respeitados e por isso saibam os caminhos de conquistá-los.
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