terça-feira, 27 de agosto de 2013


A Sociedade colonial escravista

É possível a compreensão e a explicação do presente em nossa Sociedade a partir  do conhecimentos sobre o nosso passado.

Para que   possamos observar melhor como se dá o racismo, sua origem, implicações saídas para que possamos acabar com este problema e com os demais problemas  em nossa sociedade, precisamos estudar seus porquês relativos às histórias do Brasil, da África e de demais países ou regiões que estiveram envolvidos no deslocamento violento de homens e mulheres do continente africano para várias partes do mundo colonizadas pelos europeus, com o objetivo de escravizá-los. Torna-se necessário revisitar esse passado através do estudo com olhar mais atento para que não façamos igual, para que não se repita. Quanto mais conhecemos nossa história, menos tendemos a refazer os erros do passado que muitos repetem ao invés de inventar saídas mais criativas e honrosas com o nosso povo. Conhecendo, criamos formas de acabar com  estas mazelas. Se não conhecemos, fazemos igual ao que já existe. Este é um bom motivo de estudar a História. Não é a toa que a maioria dos nossos políticos não valoriza a educação. Quem não conhece, é também, mais facilmente dominado, explorado e excluído.

A escravidão negra no Brasil durou cerca de trezentos anos. Os negros e negras vindos da África, foram trazidos com o objetivo de constituir a mão-de-obra do colonizador português, que não aceitava fazer o trabalho braçal em nome de uma nobreza. Pensavam que trabalho era para pobre e ócio  era para rico. Por isso a denominação negócio para as diversas manobras econômicas que se faz até hoje.

Para termos noção do racismo e do preconceito, este não se referiu  somente aos negros, mas também aos indígenas, entre tantos povos ao longo da História da Humanidade. Temos nossos indígenas que por muitos anos foram tratados como preguiçosos, pois não queriam ser escravos. Mas o que as elites não diziam, é que os indígenas não aceitavam a escravidão.

Primeiramente, os portugueses experimentaram em Portugal, a produção de cana-de-açúcar com o trabalho escravo dos negros e depois transportaram essa experiência para o Brasil. Não se pode esquecer, todavia, que o tráfico negreiro era um negócio altamente lucrativo tanto para os traficantes, quanto para a Coroa portuguesa.

“Pode-se dizer que a mão-de-obra negra ajudou a colonização portuguesa mesmo contra a vontade de milhares de pessoas que eram desterradas e escravizadas numa terra desconhecida. É pertinente repetir a expressão "Negros, mãos e pés do Brasil", que não constitui nenhum exagero se se leva em consideração que trabalhar no período colonial era "coisa de negro”".

Por isso os negros criaram formas de viver diversa e diferente do conhecimento que os europeus tinham.

O tráfico de negros da África para o Brasil começou com a colonização portuguesa iniciado na segunda metade do século XV. O modelo econômico baseado na monocultura( um tipo de plantação) em grande extensão de terra que se mantém até os dias atuais, tem origem  na  escravidão pelos portugueses e foi a base  da economia brasileira. Mas por ser tão desumano, não deixou de ser visto como violento e absurdo.

O tráfico de escravos da África para o Brasil, por menos que se queira, faz parte da nossa história. Mesmo que se tente esquecer ou esconder _ como fez Rui Barbosa quando mandou queimar a documentação existente sobre escravidão no Brasil _ não se pode ignorar sua existência. Conhecer o tráfico e o comércio de escravos no Brasil é entender um pouco a importante contribuição dos africanos na formação da cultura brasileira assim como reconhecer o país racista e preconceituoso que ainda vivemos.

A maior parte dos escravos que aportavam inicialmente no Brasil provinha das colônias portuguesas na África. Eram negros capturados nas guerras tribais e negociados com os traficantes em troca de produtos como a aguardente, o fumo entre outros produtos. O tráfico de escravos não era exclusividade dos portugueses, pois ingleses, holandeses, espanhóis e estadunidenses se beneficiavam desse comércio, que era altamente lucrativo. Os riscos dessa atividade estavam nos perigos dos oceanos e nas doenças que algumas vezes chegavam a dizimar um terço dos escravos transportados.

Os portos que recebiam maior número de escravos no Brasil eram Salvador, Rio de Janeiro e Recife; desses portos os escravos eram transportados aos mais diversos locais do Brasil. Algumas outras cidades recebiam escravos vindos diretamente da África, como Belém, São Luís, Santos, Campos e outras. A proporção de desembarque de escravos em cada porto variou ao longo de 380 anos de escravidão, dependendo da quantidade da atividade econômica na região servida pelos nossos portos. Durante o ciclo áureo da cana-de-açúcar do Nordeste, os portos de Recife e Salvador recebiam o maior número de escravos, mas, durante o ciclo do ouro em Minas Gerais, coube ao Rio de Janeiro receber o maior número de escravos.

A venda dos escravos vindos da África era feita em praça pública, através de leilões, mas o comércio de negros não se restringia à venda do produto do tráfico. Transações comerciais com escravos eram comuns.

 As relações comerciais internas envolvendo escravos acentuavam-se em momentos específicos do processo escravocrata. Com o declínio da produção de cana-de-açúcar no Nordeste, por exemplo, muitos proprietários de escravos venderam parte de seu negócio para o Sudeste, principalmente, para o Rio de Janeiro e São Paulo, áreas de produção de café, que passou a ser o produto mais importante da balança comercial brasileira. Os documentos  demonstram a preocupação dos governantes nordestinos como esvaziamento de escravos das lavouras nordestinas e descreve as medidas adotadas para evitar tal processo.
Perguntas para responder após leitura do texto:
1) De que forma podemos contribuir para acabar com o racismo?
2) Escreva, a partir de nosso texto e da sua visão sobre a sociedade, de que forma o racismo persiste até os dias de hoje?
3)Quais as consequências  da monocultura( exemplo: cana de açúcar ) em grande extensão de terras, que persiste até os dias atuais?
4) De acordo com o texto, o que foi o "negócio" da escravidão e qual a continuidade em nossa sociedade? Por que os brancos não gostavam de trabalhar?
5)De acordo com a monocultura presente em nossa sociedade colonial, quais foram os principais ciclos?

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