quinta-feira, 8 de novembro de 2012


O mito da caverna
Na Grécia Antiga, entre o século V  e  IV a.C foi quando os pensadores passaram a investigar  as questões humanas. Este período é marcado pelo surgimento da cidade de Atenas. Em função de o Filósofo Sócrates ter dado a maior contribuição ao conhecimento, este período passou a ser denominado Socrático. Sócrates preocupou-se com as causas das ilusões, dos erros e da mentira. E em busca da  verdade, utilizou as perguntas que até hoje norteiam  o caminho para o conhecimento: O que, onde, quando, qual e como. Com sua morte, Platão prosseguiu este estudo distinguindo crença, ilusão e aparência, diferenciando-as da essência e da realidade, que deveriam  fazer parte da constituição do Ser Humano. Por isso e para contar a História de Sócrates como parte da própria História do Conhecimento, Platão escreveu um dos mitos mais importantes sobre a origem  do conhecimento: O Mito da Caverna.
O Mito da Caverna  foi contado por Marilena Chauí, uma das maiores filósofas de nosso tempo, que  tanto nas Universidades, quanto  escrevendo livros didáticos para escolas, contribuiu para que todos tivessem acesso ao conhecimento  e de  como se faz História:  Imaginemos então, uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, ou seja, na sombra,  enxergar o que se passa no interior da caverna. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. No exterior, portanto, há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.
Para Platão, seguidor dos ensinamentos de Sócrates, as perguntas são a possibilidade de encontro com o conhecimento. Ele escreve então os ensinamentos do seu mestre Sócrates através do “mito da caverna” e suas perguntas que levam ao conhecimento: E se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Sócrates então seguia o percurso de suas  perguntas e testava suas respostas: Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando-se com o caminho da luz, nela adentraria. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Desta vez, libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros  o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade?
Dessa forma, Platão continua a História: O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos sem conhecê-las. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? Aquele que busca conhecimento verdadeiro. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo? Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense, pois imaginam que  a sombra ou a meia verdade é o mundo real e o único verdadeiro.
Fabíola Camargo.
Bibliografia: CHAUÍ, Marilena, “Convite à Filosofia”. Editora Ática,1998.

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