Abuela Grillo: Um canto que explica a História
Animação dirigida por Denis Chapon com produção da Bolívia e Dinamarca em 2010, esta é uma história contada milenarmente pelo povo indígena Ayoreo, que se encontra na fronteira entre Paraguai e Bolívia. A música "Chillchi Parita" presente na animação de doze minutos foi cantada por Luzmila Carpio, que em 21 de abril de 2006, foi nomeada embaixadora da Bolívia para a França pelo presidente boliviano Evo Morales. A música cantada por Luzmila é de origem Quéchua - termo coletivo para diversos indígenas da América do Sul. O uso da língua quéchua entre os povos indígenas latino –americanos, são falados desde antes dos incas que, ao invés do uso da língua européia espanhola – país que participou da destruição indígena nas Américas para a colonização – ao contrário, Luzmila Carpio pensa o uso da música não para render dinheiro, mas para usar a sua música como expressão de rebeldia contra o predomínio de formas ocidentais de dominação cultural sobre os indígenas, e mostrar que este mundo até agora subordinado também tem contribuição a dar, para construir relações mais harmoniosas entre os povos do mundo. Nesta narrativa, Abuela fora convidada a festejar a colheita do milho numa das comunidades indígenas. E como uma anciã, a mais velha e com mais sabedoria entre as tribos, Abuela em seu cantar fazia chover. A chuva fazia o alimento brotar e todos comemoravam a colheita em comunidade. Mas Abuela foi expulsa da comunidade porque seu cantar fez chover demais. Abuela então, saiu cantando pela estrada em direção a cidade fazendo brotar em todos os lugares por onde passava: Chegou numa cidade toda de concreto e começou a fazer brotar... No entanto, dois Homens de terno e gravata pegaram Abuela, aprisionaram-na e fizeram-na cantar num palco, enquanto uma nuvem presa era espremida dentro de garrafas. A água caída nas garrafas passou a ser propriedade privada de dois capitalistas. O povo passou fome, comprava apenas uma garrafinha de água dos capitalistas, o que não supria suas necessidades e ainda ficava cada vez mais cara. Enquanto o chão rachava por falta d’água, os bichos morriam de sede. Mas Abuela tentou fugir, e um dos camponeses viu o que aconteceu, e contou prá toda a comunidade. Mas os capitalistas que precisavam lucrar mais trataram Abuela violentamente. Até que toda a comunidade se uniu e Abuela compreendeu o que estava acontecendo. Desta vez cantou mais alto que pode, e fez chover forte. Então houve uma fusão, um reencontro entre os Seres Humanos e a Natureza e entre Abuela e sua comunidade: Desta vez, a água foi valorizada. Plantavam-se em terraços, e na cidade, tudo passou a florir e brotar. As comunidades no campo também festejaram a volta de Abuela, oferecendo-a o milho, daí foi acolhida por sua comunidade, que desta vez também compreendia seu canto, e a importância da Harmonia entre a Natureza e os Homens. Para estes povos, no principio havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná, relacionado a origem dos povos indígenas e ao respeito aos anciãos como contadores das histórias indígenas nas centenas de gerações que ainda se mantém viva através da cultura do respeito ao mais velho, que resguarda a sabedoria de um povo ou de uma cultura. Trata-se de um tema fundamental nos dias de hoje, já que se refere a luta dos povos indígenas latino-americanos ( incluindo o Brasil) contra a re-colonização da terra. Enquanto os países mais ricos ditam as regras do Sistema que gera riqueza, lucro e poder a qualquer custo como base do Sistema Capitalista que vivemos, os povos de todo o mundo lutam contra a destruição do meio ambiente que se apresenta para alguns governos nos países da América Latina como forma de obtenção de riqueza e poder, que ao custo da destruição da terra, ora por venda de matéria-prima a preços altos para europeus e estadunidenses, ora destruindo com venenos, inseticidas e pesticidas que contaminam a terra e os alimentos. São os mesmos que se valem da violência e da destruição da educação para se manterem governando. Para os povos indígenas, até os dias de hoje o alimento da terra é um bem sagrado assim como tudo que se relaciona com o meio ambiente onde vivem até hoje: Para estes povos, a água que corre no rio tem o sangue de seus ancestrais e por isso é como se fosse irmã, sagrada entre os indígenas.
Fabíola Camargo.Fontes:
http://abuegrillo.blogspot.com.br
Renshaw, J."A eficácia simbólica" revisitada. Cantos de cura Inayoreo. Revista Antropologia vol.49 no.1 São Paulo Jan./June 2006.
www.etnolinguistica.org
www.luzmilacarpio.com/
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