domingo, 19 de julho de 2020

Brasil pós-1930: O Varguismo

Seguida de uma crise do Sistema Capitalista  com a quebra da bolsa de valores em Nova York no ano de 1929, o Brasil pós 1930, viverá  o período do Varguismo. 

O Governo provisório(1930-34)

  Getúlio Vargas liderou o fim da política do café com leite da República Velha. Alternando-se no poder, ora políticos ligados aos cafeicultores de São Paulo, ora políticos ligados  a velha bancada do boi(ou do leite)de Minas Gerais, as oligarquias se revezavam no poder. Vargas põe fim a  este  poder em 1930, assumindo o    Governo Provisório, entre 1930 e 1934, dando início a nomeação de interventores para os governos dos estados, criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e a promulgação das primeiras leis trabalhistas.

                             Charge sobre Vargas e o fim da política do café com leite

Em 1932 as elites rurais paulistas, sul-mato-grossenses, e sul-riograndenses reagiram armadas para derrubar o governo Vargas. As tropas federais conseguiram contê-los.

Governo Constitucional(1934-37)

Em novembro de 1933, instalou-se a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela promulgação da nova Constituição e pela eleição de Getúlio Vargas como presidente da República, em julho de 1934.


                                                                          Eleição e repressão: duas formas de governar de Vargas no poder

A superação do atraso social, político e econômico da concentração de poder e terras se inverteu com a industrialização. Criou-se o Ministério do trabalho, Indústria e comércio e as leis trabalhistas, com Lindolfo Collor à frente. A centralização dos sindicatos sob gerência do estado, foi denunciada por socialistas, anarquistas e comunistas, tidas como uma característica fascista. Em 1935 houve a Intentona Comunista, com Vargas aumentando a repressão e criando a LSN - Lei de Segurança Nacional. Em 1932 foi fundada a Ação Integralista Brasileira-AIB, e reuniu  grupos e partidos de extrema direita. 

Estado Novo (1937-45)

Em 1937, com a Constituição do Estado Novo, a AIB foi fechada. A AIB cresceu incorporando mulheres, crianças e operários e fez um levante armado em 1938, atacando o Palácio do Catete. Neste mesmo ano foi inventado o " Plano Choen", uma ação supostamente comunista, inventada por militares, mas de fato também não existiu. Este cenário impulsionou o fechamento  do regime varguista com o Estado Novo, implantado em novembro de 1937, quando Vargas determinou o fechamento do Congresso, outorgou uma nova Constituição,  proibiu partidos políticos, além de controlar poderes Legislativo e Judiciário.


     Contra a Direita e contra a Esquerda. Ora de um lado, ora do outro, Vargas se beneficia, mas também gera desconfiança

 Em 1942, Vargas passou a intervir nos sindicatos. Durante a Segunda Guerra Mundial, e, mesmo ao lado dos aliados, Vargas demonstrou simpatia ao seu oponente, o Eixo (Itália, Alemanha e Japão), enfrentando questionamentos e enfraquecendo o Estado Novo. 

 Vargas e a Guerra Fria (1945-64)

Os militares conspiraram contra Vargas em 1945. Neste ano, as eleições foram disputadas  entre o Brigadeiro Eduardo Gomes(UDN) e a chapa de Getúlio, compondo com o General Dutra(PSD). Era o fim do Estado Novo.

                                                         A volta de Vargas aos braços do povo: O Queremismo

Até 1949, Vargas foi eleito senador e deputado por diversos estados. A participação do país na guerra, internalizou conflitos da guerra fria: entre o Socialismo liderado pela URSS e o Capitalismo liderado pelos EUA em disputa internacional. O General Dutra, governou um país com instituições fechadas e com uma pretensa conspiração comunista.As forças conservadoras se fortaleceram com a inserção do Brasil no "livre comércio" internacional. As oligarquias regionais retomaram poder político e controlam votos nos lugares mais pauperizados. A indústria parou de crescer. O PCB foi fechado de vez em 1947 e as greves foram proibidas. Era o partido com mais votos e adeptos neste período. Em 1950, Vargas retornou ao poder e prometeu resgatar cidadania. Foi um tempo de cidadania restrita.  A UDN e o PSD representavam as elites. No entanto, o conservadorismo saiu fortalecido com lideranças militares e sob a influência do jornalismo de Carlos Lacerda. As pressões  acabam levando Vargas ao suicídio em 1954.

Fontes:

Camargo, F. Entre uma ditadura e outra: a Polícia Política e os Movimentos Sociais rurais entre 1945 e 1964. UERJ, Rio de Janeiro, 2014.

MB Mattos.Greves, sindicatos e repressão policial no Rio de Janeiro (1954-1964), 2004.

 Reznik, L. Democracia e Segurança Nacional: A polícia política nos pós Segunda Guerra Mundial, 2000.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Fake news X Fontes Históricas:

Fake News: Inteligência Artificial


Visite: https://youtu.be/ZXnCg2UH5gY


Fontes Arqueológicas:


Visite  o Crânio de Luiza  e aproveite o Museu Nacional:

http://www.museunacional.ufrj.br/dir/omuseu/videos/exposicoes.html

Fontes Escritas:

Conheça o Julgamento dos líderes da Conjuração Mineira

 e visite o http://www.arquivonacional.gov.br/br/component/tags/tag/27-sei

Fontes Imagéticas

Visite a História de  Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira), cantando um dos seus maiores sucessos, a marchinha “O Pedreiro Valdemar”, de 1949, fala do pedreiro que “faz tanta casa e não tem casa pra morar” em: https://www.mis.rj.gov.br


Fontes Orais, Sonoras ou  em áudio, visite  no Museu da Imagem do som  arquivos raros da nossa História da Música brasileira :https://www.mis.rj.gov.br/blog/luiz-carlos-da-vila-benza-deus-2004/

Objetos: 

Visite  as fontes históricas do Museu Nacional em https://mnba.gov.br/portal/

e o Museu da Maré em https://www.museusdorio.com.br/joomla/index.php?option=com_k2&view=item&id=46:museu-da-maré






Introdução as Fontes Históricas

As Fontes Históricas são materiais pesquisados pelo Historiador para estudar as ações do Ser Humano ao longo do tempo. Para que a pesquisa seja mais próxima da verdade, o/a historiador/a precisa consultar diversas Fontes. São objetos  e ações  as fontes deste estudo, e são definidas como  lugares de Memória.

Os lugares de memória materiais onde o historiador precisa pesquisar são diversos, tais como  arquivos, Museus, bibliotecas, espaços culturais, galerias, entrevistas, bairros, podem ser considerados Lugares de Memória.
 Exemplos de Fontes imateriais são as 
  formas de expressão cultural, modos de criar, fazer e viver por exemplo.

As Fontes Históricas materiais são  as criações artísticas, científicas e tecnológicas e são obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais, além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico e ecológico que precisam ser identificados e interpretados historicamente.

Estes objetos de memória individuais ou coletivas são parte do Patrimônio do Ser Humano e possuem natureza material e imaterial.

Quanto mais diversas forem as fontes e  quanto mais estas fontes se cruzem numa leitura atenta, mais a possibilidade do encontro da verdade possuem as fontes.

Por isso existe um método de análise para cada Fonte Histórica. Disso falaremos depois

Com o advento da internet, temos muitas fontes históricas falsificadas, as denominadas Fake News.

Para garantir a veracidade ou não das Fontes Históricas, os historiadores estudam constantemente e atualizam métodos de análise sobre a veracidade ou não destas fontes, que se baseiam em perguntas  a cada uma das fontes. 

A base das perguntas da Ciência Histórica, provém  da base de toda Ciência e faz parte da origem do Conhecimento, tal como as perguntas que fazemos  na leitura do Mito da Caverna de Platão, escrito por Sócrates, são elas: onde, quando, quem, por quê e como. Estas bases são importantes meios para construirmos nossa Cidadania, pois tornam o Conhecimento  sobre o Ser Humano mais sólido para construírem uma História justa  de todas e todos.

domingo, 24 de novembro de 2019

Imperialismo e Império: Do contexto internacional ao Brasil-Imperial


O século XIX é marcado pela industrialização ou pela chamada Segunda Revolução Industrial.
A industrialização desenvolveu cidades, transportes, luz elétrica. Era a passagem da energia à vapor com a descoberta de novas tecnologias e  combustíveis como a eletricidade e o petróleo. Tudo ficou mais rápido diante da produção dentro de fábricas com esteiras em velocidade cada vez mais rápidas. Assim nasceu a fotografia, o cinema, telefones e linotipos, que passaram a imprimir jornais.
Na busca incessante por tecnologias para aumentar concorrência e consequentemente o lucro dos capitalistas, nasceu a associação de bancos e indústrias – os monopólios, que anunciou a primeira crise do Capitalismo em 1870. Para aumentar a quantidade de matérias-primas com baixo custo e mercado para venda de seus produtos, lançaram-se na corrida pela exploração de outros territórios - o neocolonialismo. Este conjunto de ações concorrenciais entre nações capitalistas denomina-se  corrida Imperialista.
A corrida Imperialista por uma nova colonização, desta vez no século XIX – o neocolonialismo - deu-se na África, Ásia e nas Américas a partir de 1850 quando a crise do mundo capitalista se instalou na Europa recém-industrializada e nos Estados Unidos em 1870.
Para isso lançaram mão  de campanhas com bases racistas do darwinismo social e do neomalthusianismo. O que hoje conhecemos como super-heróis  foram ideologias popularizadas de  dominação europeia e/ou estadunidense para dominação na África, Américas e Ásia. O darwinismo social se baseou  no binômio civilizados ou selvagens, se autodenominando civilizados  e teorizando sobre  a importância de dominar povos com cultura diversa ao ocidente branco e  europeu. Já o neomalthusianismo defendia que havia uma superpopulação que não era possível alimentar e por isso defendia controle populacional fazendo esterilização em massa, limitando e proibindo procriação de populações pobres. Era baseado no pressuposto matemático de que enquanto a população crescia em escala geométrica, por exemplo, (2x2x2x2x2), o alimento só aumentava em escala aritmética, exemplo (2+2+2+2+2). Estas foram as bases do nazi fascismo do século XX.
Neste contexto que a Inglaterra desde 1859 iniciou obras para a construção do Canal de Suez. Localizado no Egito, África,  o objetivo era ligar o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho para diminuir o tempo de navegação entre europeus e oriente. Foi neste período que o Egito passou a perder sua Soberania. Foram mais de 10 mil egípcios mortos na construção deste Canal. A Inglaterra criou imposto para que os egípcios pudessem navegá-lo.
O outro marco da corrida Imperialista na África foi a Conferência de Berlim (1884-85) na Alemanha. O objetivo era a Partilha da África sem nenhum africano. Além disso, o Rei belga Leopoldo II criou a “Associação Internacional Africana”, obtendo acesso a informações privilegiadas e deu início a corrida neocolonial na África. Países europeus como Alemanha, França e Inglaterra somaram-se a Conferência de Berlim (1884-85) para subjugar a África. Foi o primeiro genocídio do século XX.
 Na Ásia, a Índia fabricava algodão para a Inglaterra. Mas a Inglaterra  introduziu tecido a preços muito baixos para arruinar a manufatura  e a exportação indiana. Em 1857 a população indiana resistiu com a Revolta dos Cipaios, quando os indianos se armaram  contra o Imperialismo inglês.
Já a China exportava seda, chá e porcelana. Mas a Inglaterra em crise, e vendo a importação dos produtos chineses crescerem na Inglaterra, passou a exportar grande quantidade de ópio para a China. Isso levou a primeira Guerra do Ópio entre 1839-1842. Com apoio da França e em acordo com outros países europeus, a Inglaterra aumentou a exportação para  a China, o que levou a segunda Guerra do Ópio entre 1856 e 1860.
Os chineses chegaram a interceptar 20 mil toneladas de Ópio inglês na China de uma vez. Mas os problemas sociais decorrentes do alto consumo só terminaram com a Revolução Chinesa em 1949.
Nas Américas  a Guatemala perdeu seu território para a Grã-Bretanha em 1862. O México também sofreu intervenção da Dinastia dos Habsburgos da Áustria, mas restauraram a República em 1867. Os Estados Unidos violaram a soberania de Roosevelt entre 1901 e 1908 com o “Big Stick” intervindo na América Latina, onde passou a ser cultivada banana, algodão e cana-de açúcar principalmente. Um exemplo da intervenção dos Estados Unidos  foi o canal do Panamá na Colômbia em 1903.
A Grã- Bretanha agiu de modo semelhante oferecendo empréstimos com  juros altos, provocando dependência econômica que passou a consumir produtos com baixo custo e vender  mais caro com a industrialização.
Na construção do Brasil-Imperial, este contexto ampliava a dominação escravista. Mais de 53% da população era escravizada neste período.
 Com a maioridade de D. Pedro II, o período pós-regencial constituiu o poder entre famílias oligarcas liberais denominada de Luzias, grupo mineiro que defendia uma monarquia federativa;  e os Saquaremas, que se reuniam em Visconde de Itaboraí e defendiam a centralização do poder  nas mãos do poder moderador sob a monarquia.
No entanto, havia uma mobilidade de poder entre essas elites oligárquicas que também mudavam conforme a posição política em relação ao poder denominado “Transação”. Ângelo Agostini publicou na Revista Ilustrada uma frase em que explicava esta relação de Poder:
” Não há nada mais Luzia(liberal) do que um Saquarema(conservador) no poder; não há nada mais conservador do que um liberal no poder”.
Dessa forma o jogo de interesses que dominava a política, assim como a troca de votos, não deixava emergir nenhuma vontade política que fosse popular.
Neste mesmo contexto foi colocada em prática a “Lei de Terras”. Com esta lei de 1850 e que vigora até os dias atuais, a terra só pode ser colonizada por quem já possuía terras, estendendo o poder das sesmarias, além da compra, a única forma de adquirir terras, o que reforçava economicamente a exclusão da vontade popular.
Desta forma as populações afrodescendentes passaram a fazer diversas rebeliões como a Revolta dos Búzios, com Luiza Mahin, assim como a Revolta dos Malês, a fuga em Quilombos, com Dandara e Zumbi de Palmares, a alforria feita pelo panificador João Mattos, a recusa do jangadeiro Chico da Matilde, que se recusou a transportar negros para escravizar, o movimento de alfabetização feito por Maria Firmina, entre muitos outros movimentos abolicionistas até 1888, e que se estendem até os dias atuais.

domingo, 16 de junho de 2019

A Revolução de São Domingos: O Haiti e a Revolução Francesa



A escravidão não esteve no centro dos debates de São Domingos até 1791, quando uma grande revolta escrava fez a classe proprietária perceber que os ideais de liberdade foram compreendidos também pelos negros escravizados. Embora a sociedade discutisse o abolicionismo nas colônias francesas desde 1788, a primeira grande revolta contra a escravidão surgida na esteira da Revolução Francesa só ocorreria de fato no verão de 1791.
 
Um apelo público atribuído a Toussaint L’Ouverture, general dos exércitos do rei, mas também escravo de uma plantation, rompeu com a submissão aos monarcas espanhóis ainda em 1793, e defendeu princípios da República e da emancipação.


(Toussaint L'Ouverture e  J.J. Dessalines: líderes da Revolução em São Domingos)

A maré revolucionária estava prestes a mudar e a incluir a luta pela abolição imediata. O apelo do líder dizia:
”Irmãos e amigos sou Toussaint L’Ouverture, talvez conheçais meu nome. Quero que a liberdade e a igualdade reinem em São Domingos. Trabalho para que isso aconteça. Uni-vos a nós irmãos, e lutai conosco pela mesma causa.
os líderes negros deram um passo rumo à independência. A ascensão política de Napoleão Bonaparte, em 1799, mostrou os limites da revolução negra em São Domingos, pois, enquanto Napoleão adquiria notoriedade na Europa, Toussaint projetava um governo centralizado e militarizado: não proclamou a independência de São Domingos, mas se auto-proclamou governador vitalício da colônia, em 1801. Para o governo napoleônico, este passo foi largo demais...Napoleão enviou ao Caribe uma expedição para a reconquista de São Domingos e, ainda que não se divulgasse abertamente, seu governo inclinava-se à restauração da escravidão nas colônias, o que de fato ocorreu em 1802. Neste mesmo ano, Toussaint foi preso pelas forças napoleônicas estacionadas em São Domingos e deportado para França, onde morreria na prisão, no ano seguinte.
A tentativa francesa de recuperar São Domingos atingiu níveis de extermínio que anteciparam as guerras coloniais da época posterior. Os generais negros e mulatos que herdaram a liderança de Toussaint  (J.J. Dessalines, H. Christophe e Pétion, entre outros) nomearam Dessalines como comandante-em-chefe e conduziram a luta contra os franceses até a vitória negra. Em 1° de janeiro de 1804 foi proclamada a República do Haiti e Dessalines (um ex-escravo, como Toussaint) foi nomeado governador-geral.
 Nas primeiras décadas do século XIX, o Haiti despontou como o primeiro Estado das Américas a conquistar a independência e a garantir, ao mesmo tempo, o fim da escravidão. A consolidação do poder negro na ilha inspirou revoltas escravas em Cuba, Estados Unidos, Jamaica e Brasil, promovendo o temor contínuo entre propietários de plantations e autoridades de diversas regiões da Afro-América.
Os caminhos desse Estado negro no período pós-independência oscilaram entre os projetos de reconstrução do sistema produtivo e as alternativas de autonomia oferecidas pela pequena propriedade. Dessalines, que governou até ser assassinado, em 1806, liderou um processo de confisco das propriedades francesas  e anunciou o plano de distribuir terras aos veteranos revolucionários. Impôs também quotas de trabalho aos lavradores, mas a economia enfraquecida pela guerra e por uma burocracia desorganizada gerou poucos resultados comerciais. Após a morte de Dessalines, o país foi dividido em dois. Alexandre Pétion passou a governar o sul nos moldes da República, enquanto Henri Christophe (também ex-escravo) assumiu o controle do norte da ilha, onde se fez coroar rei. Para Christophe, apesar do isolamento, o Haiti precisava recuperar a capacidade produtiva: os engenhos foram submetidos a uma rigorosa disciplina de trabalho, com coordenação estatal da economia. Como saldo desta experiência, a severidade do regime trouxe  sucesso econômico, mas  contribuiu para o isolamento de Christophe no poder e para a revolta interna que o derrubou, em 1820.


(Suzanne Sanité Bélair, heroína da revolução Haitiana e em 2004, apareceu na nota de 10 gourde, para a série comemorativa do "Bicentenário do Haiti".)

Nesta época, a alternativa de governo surgida no sul republicano tornou-se dominante no Haiti. Primeiro com A. Pétion, e depois sob a liderança do Presidente Boyer, os planos de distribuição de terra conquistaram apoio popular. O sistema agrícola da República como um todo passou a basear-se em uma combinação de minifúndios de camponeses e latifúndios operados por fazendeiros arrendatários. Para o antropólogo Sidney Mintz, o Haiti ingressou neste momento no sistema de pequena propriedade camponesa auto-suficiente. Assim, o sonho do Estado negro moderno, envolvido em relações comerciais de âmbito internacional, teria naufragado, pois a população liberta   desejava terra. A terra, mesmo que em parcelas mínimas, revestia-se de significados poderosos para uma nação formada, majoritariamente, por homens e mulheres recém-saídos da escravidão: a terra era simbolicamente a morada dos ancestrais para os afro-descendentes, principalemente neste período, tanto quanto um recurso contra a privação. Assim o Haiti tornou-se, lentamente, o país mais profundamente camponês do Caribe.
O Haiti não foi o primeiro estado americano a se tornar independente, mas seguramente foi o primeiro a afirmar a liberdade civil de seus habitantes. O conteúdo emancipacionista da independência haitiana foi sintetizado por R. Blackburn: “Parte da grandeza da extraordinária Revolução Francesa consiste em ter vindo  patrocinar a emancipação dos escravos ...; e parte da grandeza da extraordinária  Revolução de São Domingos/Haiti  é que teve sucesso ao preservar as conquistas da Revolução francesa contra a própria França”.  

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OUÇA TAMBÉM:

https://anchor.fm/fabola-lendo-histria/episodes/A-Revoluo-de-So-Domingos-O-Haiti-e-a-Revoluo-Francesa-e27jghg

https://open.spotify.com/episode/3JJc4BGW7G6LrqIxjA9vzt?si=udjh8AW5Qcqozl3pkVHpCQ


FONTES:

VAINFAS, Ronaldo.[Et. al ]Componente curricular: História. 2ª edição. São Paulo. 2013
VIANA, Larissa: A Independência do Haiti na Era das Revoluções In:
http://anphlac.fflch.usp.br


 LEIA MAIS:

https://almapreta.com/sessao/quilombo/conheca-quem-foram-as-mulheres-por-tras-da-revolucao-do-haiti

https://www.historia.uff.br/stricto/td/2308.pdf

http://www.periodicos.ufc.br/amerindia/article/download/1380/1286

EM SEGUIDA RESPONDA A SEGUINTE QUESTÃO:

Identifique e as principais similaridades entre a Revolução no Haiti e a Revolução Francesa:

segunda-feira, 29 de abril de 2019

quarta-feira, 3 de abril de 2019

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS

As Fontes Históricas, a princípio, são todos os materiais produzidos e recolhidos pelo historiador após definir o objetivo de sua escrita. A partir do recolhimento das fontes, um/a historiador/a elege uma metodologia (modo de pesquisar as fontes) para iniciar a pesquisa histórica e escrevê-la tecendo comentários sobre as diversas escritas da história (historiografia)sobre o tema escolhido após consultar e esgotar todo o material publicado sobre o tema.
Para isto, temos como método a análise do Tempo Histórico, que, por ser uma construção Humana, não possui equivalência sobre os calendários ou o tempo do relógio. Por isso destacamos que o tempo dos Seres Humanos são diferentes e singulares entre si e, ao analisar o tempo histórico das diversas coletividades dos sujeitos que fazem história, utilizamos os significados de duração, sucessão e simultaneidade do tempo, para trabalhar com os eventos/ acontecimentos históricos. Neste sentido, tais eventos podem ser de curta, média e longa duração, a depender de seu impacto em dada sociedade.  Cada coletividade constrói a sua História: seja com uma ruptura( Revolução) , seja    dando continuidade a um determinado Sistema( Feudalismo ou Capitalismo por exemplo...)
Já o estuda da Memória, se refere a como  e os porquês dos Seres Humanos lembrarem-se e esquecerem-se do passado, com o olhar atento da História sobre fatos passados. Essa memória, individual e coletiva  se verifica em territorios diversos, dependendo do tema, que podem ser usados com fonte para interpretar os fatos e seus respectivos impactos. São Museus, bibliotecas, espaços culturais, galerias, arquivos ou mesmo as nações podem ser considerados Lugares de Memória.
Os Patrimônios Culturais, também são lugares de memória, possuem  natureza material e imaterial que incluem formas de expressão cultural, modos de criar, fazer e viver, criações artísticas, científicas e tecnológicas e trazem obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais, além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico e ecológico que precisam ser identificados e interpretados historicamente.
As identidades dos Sujeitos históricos analisados nos lugares da História são definidas a partir da construção do “eu” e do “outro/a”, e a construção do “eu” e do “nós” que fazem parte  dos diferentes contextos ou paisagens da vida Humana nos diferentes espaços de convívio social. A construção de identidade se dá a partir do reconhecimento de semelhanças e diferenças entre Seres; transformações e permanências sobre as relações sociais: desde as relações mais íntimas ou locais, até relações que se constroem mundialmente. 
Para análise das fontes é preciso levar em conta as questões que seguem:
a)Os objetivos e o tema da pesquisa estejam evidentes ao pesquisador sem que a busca do trabalho pronto se apresente;
b)Ao invés de descrever o documento, é necessário apresentar o resultado da busca com apresentação própria;
c)Considerar que nenhum documento fala por si, mas deve-se levantar questões sobre o documento identificando quem escreveu, quando e onde; e, se não houver legenda, não servirá como fonte histórica;
d)Levar em conta que toda escrita carrega em si objetivos próprios;
e)Relacionar o mesmo tema com a diversidade de fontes, sites, imagens, vídeos analisando-as de que forma  as fontes trazem questões diversas e que precisam ser analisadas.
Além disso, torna-se importante verificar, que não há verdade única, mas que há diversidade de saberes sobre cada tema, nas fontes disponíveis ao longo do tempo, e que a aproximação da verdade depende de uma boa pesquisa, que tornará ou não uma fonte verossímil. Para que isto ocorra, é preciso destacar que, quanto mais fontes de um determinado tema, mais completa será a pesquisa.
f)Em seguida constrói-se uma narrativa/interpretação e análise das fontes.               Estuda-se o passado para entrar em contato com outras experiências em outros tempos e analisa-se o presente levando em consideração o estudo do passado.
Neste sentido que a cidadania possui destaque no estudo da História, pois o exercício da cidadania plena é que garante direitos civis, políticos, culturais, sociais e econômicos, quando sujeitos históricos participam plenamente dos destinos da Sociedade, desde o direito à educação e saúde ou ao trabalho pleno, por exemplo. Daí que a História relaciona o pensar e o fazer, como parte da construção de uma História com o sentido humano em sentido mais amplo.