O
Brasil de 1950 a 1960, a questão agrária se apresentava como empecilho ao
desenvolvimento. Apenas o eixo Rio-São Paulo era desenvolvido, com benefícios
sociais para grupos restritos, mantendo baixos índices de produtividade
agrícola e favorecendo a migração de trabalhadores do campo para a cidade. Os
recursos de produção eram poucos com a crise de abastecimento e havia
dificuldade para o desenvolvimento nacional com a ausência de reforma agrária.
Por
isso, no início do governo de JK, tivemos três eixos propostos: a criação de
uma rede de centralização efetiva dos
comandos – expressa na colaboração de um
plano de desenvolvimento para integrar a agricultura, a indústria pesada e a
emergência das massas; a afirmação da
empresa pública como fator de dinamização do desenvolvimento – face a fragilidade da empresa privada nacional diante das tarefas impostas pelo salto industrializante; a
fundação de um banco de investimentos (o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - BNDE)
– constituído enquanto agente do tesouro para as operações financeiras
de longo prazo previstas pelo plano de Reaparelhamento Econômico nova articulação entre empresários e Estado não mais
nos moldes corporativistas de representação vigentes até então.
JK
lançou o Plano de Metas, quando o país ingressou em sua uma estrutura monopolista
específica que articulou a multinacional, a empresa privada nacional e a
empresa pública rompendo com a
orientação política econômica anterior com setor industrial privilegiado pelo
Estado; com novas estratégias de financiamento para a industrialização
brasileira, em lugar da ênfase aos empréstimos públicos externos.
Abrindo-se
mão de projeto de desenvolvimento nacional autônomo, internacionalizou-se a
economia.
No entanto,
o governo de JK consolida o processo de modernização conservadora, com aumento
de concentrações urbanas da região Centro-Sul concentrando ainda mais a riqueza
nos setores industrializados e do monopólio da terra.
Como
solução, propôs uma Reforma Agrária com
acesso aos trabalhadores agrários à propriedade, de modo que se evitasse a proletarização
das massas rurais. Dessa forma anunciou alguns anteprojetos encaminhados pela Comissão Nacional de Política Agrária
dispondo sobre a redistribuição da terra
adequada ao reabastecimento dos centros de consumo ou beneficiada por obras
públicas com arrendamento compulsório.
Quando
JK anunciou a intenção de impulsionar uma Reforma Constitucional(Administrativa,
Agrária, Previdenciária, e do Crédito
rural) com anteprojetos que seriam
levados dentro de dois ou três meses ao Congresso Nacional, as dificuldades
políticas, apesar dos esforços de apoiar a “ala moça” do PSD, que o ajudou a eleger-se, afim de fazer face
aos caciques do partido, como Benedito Valadares e outros, a política do
possível parece ter sido a de conseguir
da facção ruralista uma posição de neutralidade diante do programa de Metas, em
troca da conservação das relações
sociais no campo. Daniel Faraco, do PSD-RS presidente da Comissão Econômica da
Câmara anunciava: “enquanto eu for presidente desta Comissão, nenhum projeto de
Reforma Agrária passará por aqui.”
Pouco
depois, o Governo habilmente canalizou as frustrações reformistas para medidas
indiretas como a Operação Nordeste - sua meta 31 - que enfrentou a questão
agrária através da integração regional reduzindo ou neutralizando números na
representação nordestina que persistia no poder.
Lançou
em 1958 a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste- SUDENE, configurando
um sistema cooperativo entre União, estados, os municípios e empresas privadas,
com a finalidade de promover aplicação de
incentivos com o desenvolvimento da região.
Aproveitando
a vinda dos governadores dos Estados do
Nordeste ao Rio em busca de auxílio do
governo federal, JK convocou uma reunião no Palácio Rio Negro, em Petrópolis,
ao qual compareceram autoridades do
clero e parlamentares nordestinos. Durante o encontro, JK anunciou seu objetivo
de criar uma comissão para coordenar o auxílio ao Nordeste, constituída pelos
ministros da Fazenda, do Trabalho, da Saúde e da Viação presidida por este último.
Devido
ao Estado de emergência configurado, JK seguiu para o interior do Ceará. Nesta
época, já havia um grupo de trabalho composto por vários técnicos, entre os
quais, Israel Klabin, Luís Carlos Mancini e Celso Furtado, este último, membro
da CEPAL - Comissão Econômica para América Latina, criada em 1948, com sede em
Santiago do Chile, para pensar os caminhos de desenvolvimento para o
continente. Logo, a CEPAL tornou-se um centro de reflexão sobre desenvolvimentismo na América Latina, isto e formulou o desenvolvimento industrial latino americano, sugerindo para
isso, o rompimento com aquela divisão internacional do trabalho. O brasileiro
Celso Furtado esteve na CEPAL desde os seus primórdios e é considerado o
principal articulador e propagador do pensamento cepalino e estruturalista no
Brasil.
O grupo
de trabalho funcionava no BNDE com a incumbência de estudar as medidas a serem
tomadas para solucionar os problemas no Nordeste. Considerando a necessidade da
implantação da industrialização e da agricultura irrigada na região, o governo
se propôs a criar infra-estrutura necessária. A industrialização seria, no
entanto, muito mais contemplada do que a agricultura. Quanto a agricultura, a
expulsão dos camponeses foi umas das consequências.
Para
JK, como os debates entre os
integrantes do grupo de trabalho
responsável pela política
desenvolvimentista a ser implementada no Nordeste não progrediam com a devida
rapidez, principalmente em função das interferências de Aluísio Alves, que fora
eleito governador do Rio Grande do Norte, ele propôs em fins de 1958 uma reunião com os governadores da região. Durante o
encontro, expôs as linhas centrais da
mensagem que enviara ao Congresso em fevereiro,
sugerindo a criação de um órgão
centralizador capaz de
promover o desenvolvimento do Nordeste.
Por essa época, um grupo de técnicos, por sugestão de Sete Câmara, já cogitava
na utilização de incentivos fiscais para canalizar recursos para a região. Em
abril do ano seguinte seria criado o Conselho de Desenvolvimento do Nordeste-
CODENO, órgão que daria origem a SUDENE,
criada em 15/12/59.
Ainda
em meados de 1959, em reunião
ministerial convocada por JK, foi elaborada uma nota esclarecendo a opinião pública sobre as agitações que
perturbavam o status quo. Na ocasião, os ministros militares, o do trabalho e o
da justiça, foram incumbidos de
coordenar um plano de prevenção e repressão dos movimentos contestatórios,
identificando em Leonel Brizola e João Goulart
conspiradores contra a ordem
pública.
O
anteprojeto de lei para a criação da SUDENE teve difícil tramitação no
Congresso. Além da resistência à nomeação de Celso Furtado para àquela
superintendência por não constituir
elemento representativo das oligarquias regionais, ocorreram tentativas
de esfacelamento do plano de forma a serem preservadas as tradicionais áreas de
domínio político. Foi nesse sentido que Argemiro Figueiredo, relator da matéria
no senado, propôs com êxito que o Departamento Nacional de Obras contra
a Seca – DNOCS, fosse desmembrado da SUDENE. Apesar desses obstáculos, a lei
que instituiu a SUDENE foi sancionada por JK em 15/12/59. Este órgão, ditado de
recursos próprios e diretamente subordinado a presidência, tinha por objetivo
promover o desenvolvimento do Nordeste, sendo a industrialização da área uma
das principais propostas para a absorção do amplo contingente de mão-de-obra
nordestina em condição de desemprego.
Para a
SUDENE, foi instituído o sistema de incentivos fiscais, tendo em vista
canalizar capitais para aquela região.
Foi
crescente a participação militar na vida nacional do período. A criação do
Serviço Agropecuário (SEAPE) visava incrementar a produção agrícola, como iniciativa do exército, e foi
amplamente criticado pela oposição como
medida intervencionista. Também nos cursos
e seminários promovidos pelo ISEB, foi flagrante a presença de oficiais do EMFA. A ESG, foi ampliada para a criação dos cursos
de segurança nacional e de informação, tornando-se mais uma órgão vigilante no
período considerado democrático sob os
limites da segurança e da vigilância. Aliado da Guerra Fria e do medo do
comunismo em nível internacional, armavam-se também contra o “terrível mal” da
América Latina com a Revolução cubana em 1959.
Nos
primeiros dias de fevereiro de 1960 em reunião
com os governadores dos estados e territórios da região norte, JK
anunciou o início da colonização das
margens da Rodovia Belém-Brasília e,
propôs a construção da Brasília- Acre, providenciando em seguida a criação de uma comissão no DNER para proceder a este
empreendimento ao qual seria concluído em dezembro.
Diante
da tensão reinante no cenário político, em 1959, reforçada pelas Ligas
Camponesas, que insistiam na Reforma Agrária, bem como as inúmeras greves que
vinham sendo deflagradas, e o governo chegou a ameaçar a decretação de estado
de sítio.
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