domingo, 18 de novembro de 2018
Canudos
Em Canudos chegaram a se concentrar cerca de 30 mil pessoas, procedentes das diversas regiões da Bahia e de diversos estados do nordeste. Buscavam construir suas vidas fora do mandonismo dos grandes proprietários. Chegaram a vender seus pertences em busca de uma terra prometida.
Dos fatores que levaram a formação de Canudos, destaca-se a grande seca de 1877-1879 e a substituição dos engenhos por usinas-unidades industriais que aceleraram o monopólio da indústria açucareira, resultando na expulsão de levas de camponeses. Isto se deve ao fato de que a lei Áurea, ao invés de incluir os negros escravizados, os legou o abandono e o trabalho forçado sem proteção de nenhuma lei que lhe assegurasse a moradia nem o alimento.
Daí o deslocamento para Belo Monte de levas imensas de camponeses se avolumaram com a instalação do arraial de canudos. E se localizava à margem do rio Vaza – Barris.
Tendo como principal liderança o líder religioso Antônio Conselheiro, defendia os humildes, fazia reparos em igrejas e organizava procissões até se tornar um líder entre os camponeses sem-terra. Chegou a Belo Monte na Bahia em 1893 fundando o Arraial de Canudos. A República que fora fundada sem a participação das maiorias, trouxe leis que forçaram a exclusão.
Preocupados com o exemplo, autoridades eclesiásticas enviaram em 1895 três frades franciscanos para convencer Belo Monte a se dispersar.
Em 1896, para terminar a igreja erguida em Canudos, Conselheiro encomendou madeira que, não chegou até que Conselheiro se propôs a ir pegar pois havia feito o pagamento antecipadamente. Mas foi espalhada a falsa notícia que Conselheiro iria invadir Juazeiro com os sertanejos de Belo Monte. Este foi o estopim para que as autoridades militares intervierem a pedido do governo estadual da Bahia.
No início de 1897, nova expedição com mais de 600 soldados e dois canhões e mais duas metralhadoras também fracassou.
Sem armas, os sertanejos utilizaram emboscadas que obrigaram as tropas se retirar desmoralizadas.
Na terceira expedição, cuidadosamente preparada reunia 1.200 soldados de infantaria, quatro canhões e uma companhia de cavalaria comandada pelo coronel Moreira Cesar apelidado de corta-cabeças por sua atuação na Revolução Federalista quando mandara fuzilar e degolar partidários do movimento insurrecional. O coronel, integrado ao florianismo, movimento militar em favor de Floriano na Presidência da República contra o presidente Prudente de Moraes. Mas contra Canudos, o coronel Moreira Cesar falhou. As elites entraram em pânico e o exército prometeu reagir com mais força.
Foi em 1897 que a quarta expedição foi integrada por tropas de 11 estados da federação. Sob comando do general Artur Oscar, esteve à frente de 6 mil homens divididos em duas colunas. Cerca de 400 jagunços foram contratados e agregados a expedição. Muitas baixas aconteceram quando os soldados viram seus homens mortos das demais expedições no caminho. Mas a ordem era de riscar Canudos do mapa. O sonho de uma comunidade livre e igual terminou. 30 mil pessoas foram mortas.
Fontes:
BERUTTI, Flavio Costa. Caminhos do Homem: Do Imperialismo ao Brasil do século XXI. 3º ano, ensino médio 3. ed., Curitiba, Base Editorial, 2016.
CUNHA, Euclides da. Os Sertôes: Campanha de Canudos, 39ª edição, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora: Publifolha, 2000.
AQUINO, Rubim Leão. Sociedade Brasileira: uma História através dos movimentos sociais: da crise do escravismo ao apogeu do neoliberalismo. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
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