O filme Mulher Rei trata do processo de escravização de povos africanos por europeus que marcou a história da modernidade entre os séculos XVI e XIX.
Desde 1748, o Rei Oyó passou a negociar com traficantes de reinos europeus, povos guerreiros que perdiam batalhas contra este reino, que por sua vez, cobrava impostos dos diversos povos africanos desde a antiguidade. Desde este tempo, quando perdiam batalhas, eram escravizados e só conseguiam liberdade quando pagavam os impostos em forma de trabalho escravizado - a escravização antiga.
No entanto, a partir do século XVI, quando os europeus perceberam que os povos africanos detinham o saber de tecnologias como a da metalurgia e o saber de técnicas de plantio em áreas com climas semelhantes aos da América, viram na escravização, um jeito de gerar lucro e enriquecer reinos e burguesia europeia, ávida pelo domínio das almas (cristianizar), e pelo domínio dos corpos (reinar), assim como acumular riquezas (mercantilizar), para fazer sua revolução industrial, a partir da escravização moderna. Por isso, o porto de Daomé(e também o porto de Uidá), serviu de cenário deste contexto histórico onde se passa o filme.

O Rei Ghezo, que reinou Daomé (atual Benim) entre 1818 e 1858, lutou ao lado do exército das Agojies, que sob a liderança de Nanisca (1889), se tornaram as "Amazonas de Daomé," assumindo a liderança da Guarda Real do Rei Ghezo, para lutar contra a escravidão antiga que havia se tornado extremamente violenta com a chegada dos europeus, o que levou a transição da escravidão antiga para a escravidão moderna, com o tráfico internacional de mais de um milhão de seres humanos.
Foram as Agojies que lutaram contra a escravidão moderna durante o reinado de Ghezo, propondo a guerra contra o escravismo-colonial, mas também, dinamizando a venda de produtos que tirassem os diversos povos africanos da escravização europeia, com a venda de óleo de dendê, ouro e etc...
A Nawi, que no filme representa a filha da General Nanisca, foi na vida real, a última Agojie, e testemunhou sobre este momento histórico quando tinha 100 anos de idade, pois participou da luta para a expulsão dos franceses de Daomé em 1892.
Ouça a leitura do texto acima no spotify no canal Lendo História:
https://open.spotify.com/episode/1ZuiyekPTBTTWtzYWu2YVw?si=otS8882TRfaPL8_1DagtEQ
FONTES:
História Geral da África. Brasília: UNESCO, Secad. MEC.2010.
Santos, Ynaê L. História da África e do Brasil afrodescendente.1 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2017
https://cxisto.wordpress.com/2022/10/14/filme-mulher-rei/
https://ensinarhistoria.com.br/grandes-sociedades-da-africa-pre-colonial/
https://issuu.com/aldeiagriot/docs/anexo_de_mapas_historia_da_africa_ueg
https://thenexus.one/a-mulher-rei-as-10-melhores-citacoes/
https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/123011-a-historia-real-das-guerreiras-agojie-mostradas-em-a-mulher-rei.htm
https://www.sonypictures.com.br/filmes/mulher-rei